As eleições brasileiras se aproximam e um dos pontos importantes, senão o mais importante, do processo está na política econômica que cada candidato à Presidência da República propõe, via o Banco Central. Esta autoridade monetária é o guardião da política econômica posta em prática em cada país.
Assim, se o Brasil conquistou a estabilidade econômica e avançou nos últimos 16 anos muito se deve às ações do Banco Central. Ou seja, estamos diante de uma Instituição que não pode ser comandada politicamente. A exigência maior é que tenhamos sempre um técnico na área econômico-financeira na Presidência do mesmo, que não se curve aos desmandos e interesses políticos, comprometendo a estabilidade econômica do país.
O Brasil soube manter o Banco Central com certa autonomia nesse período do Real e não deve mudar a postura. Aliás, o ideal seria que a autonomia fosse de fato e de direito, para que as ações do BACEN fiquem totalmente imunes a interesses políticos imediatistas. Hoje, o caminho a seguir, no que tange às políticas monetárias do país, está dado e foi indicado pelo atual presidente da Instituição em palestra proferida em Nova York nesta semana.
Em primeiro lugar, a manutenção da estabilidade econômica, com total controle da inflação dentro das metas pré-estabelecidas. Para tanto, a arma do juro, via taxa Selic, deve ser usada. Isso explica a tendência de aumento dos juros para 2010, via Copom. A lição de casa deve ser feita permanentemente, mesmo contrariando alguns interesses políticos e imediatistas.
O Banco Central e os candidatos (II)
Em segundo lugar, precisamos sim gerar mais poupança interna e externa. Para tanto, a estabilidade da economia é essencial. Ou seja, está na hora do Estado rever seus gastos, reformando sua estrutura e funcionamento, a fim de que o país, gerando mais poupança, aumente os investimentos e produza um crescimento sustentável que possa desembocar em real desenvolvimento.
A continuidade do consumo é necessária, porém, pelas forças do mercado e a ação responsável do Estado. Neste sentido, não se pode manter a economia aquecida artificialmente, a não ser no curto prazo (para fazer frente a uma crise mundial como a atual, por exemplo), sob pena de comprometermos a estabilidade e o avanço do país.
Em outras palavras, a reação brasileira à crise foi necessária e positiva, porém, aqueceu em demasia a economia, para os padrões de investimentos existentes, particularmente em infraestrutura. Isso exige uma freada, que está vindo com a elevação dos juros! Não adianta vendermos mais automóveis se não temos estradas para circular.
Para evitarmos novas freadas, precisamos manter a estabilidade, com reestruturação consumista do Estado, visando mais poupança e conseqüentes investimentos construtivos e não apenas políticos. Enfim, é preciso construir uma trajetória de queda dos gastos públicos e da relação dívida/PIB, passando pela eliminação da corrupção e a burocracia.
O candidato à presidência que realmente demonstrar conhecimento e interesse nesse caminho, com políticas monetária, fiscal e cambial responsáveis, merece apoio.