Os números do IBGE, a respeito do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, não deixam dúvidas e confirmam o nosso sentimento de meses. A crise econômica mundial atinge o Brasil e o processo está longe de ser uma “marola” como deixou a entender, no passado, nosso presidente.
Mesmo estando mais bem preparado para enfrentar crises desta dimensão, nosso país não escapa da mesma e de seus efeitos nefastos. Assim, o crescimento econômico nacional, que havia atingido a 6,8% no terceiro trimestre de 2008, em análise anualizada, cedeu consideravelmente no último trimestre do ano passado, derrubando o PIB final do ano para 5,1%.
O mesmo ficou abaixo do registrado em 2007, que foi de 5,4%, porém, ainda se manteve em níveis muito interessantes. Isso demonstra duas coisas.
Primeiro, que a economia vinha crescendo muito nos primeiros nove meses de 2008, puxada por um processo mundial intenso e por um consumo interno estimulado. Segundo, que a freada do último trimestre foi grande, a ponto de provocar um recuo no crescimento final bem mais intenso do que muitos esperavam, porém, menor do que se podia supor.
Todavia, o problema, como se anunciava, se desenha para 2009. Diante de um PIB fortemente negativo nos últimos três meses do ano passado (-3,6%), e de uma economia geral que só piorou de lá para cá, deveremos ter um novo PIB negativo no primeiro trimestre de 2009 e, talvez, no trimestre seguinte.
Projeções chegam a apontar uma percentagem ainda pior do que a do trimestre anterior. Em isso se confirmando, o Brasil tecnicamente estará em recessão econômica, seguindo os passos das principais economias do mundo, que já vivem tal situação desde o final do ano passado, assim como de muitos países emergentes e subdesenvolvidos.
Nesse contexto, as projeções de crescimento para o conjunto do ano de 2009 começam a desenhar um quadro muito ruim. O mesmo aponta hoje para um PIB nacional entre 0,5% e 1% apenas, confirmando nossas projeções do ano passado. Isso, em ocorrendo, significa um tombo extraordinário em relação ao crescimento dos dois últimos anos.
Como consequência, o desemprego continuará importante, o comércio parcialmente paralisado, as exportações continuarão mais difíceis, e a inadimplência em aumento, apesar dos esforços estatais em irrigar de dinheiro o mercado.
Paralelamente, a arma da redução dos juros nacionais, medida pela Selic, continuará sendo usada ao extremo. A ponto de o mercado considerar que a referida taxa possa terminar 2009 em 10% e, mesmo, um pouco abaixo disso, pela primeira vez em sua história.
Lembramos que ainda no final do ano passado a projeção que fazíamos era de uma Selic ao redor de 12% no final de 2009. Ou seja, diante do quadro concreto de paralisação da economia, opta-se por um instrumento importante de redução dos custos do dinheiro, mesmo com algum risco de gerar inflação posterior.
Diante dos fatos atuais a medida é correta, desde que a mesma seja repassada aos consumidores finais (empresas e pessoas físicas), via os bancos comerciais, os quais, para manterem suas margens de lucro e combater a inadimplência, pouco têm reduzido seus juros e, com isso, o spread bancário.
Em síntese, a crise continua séria e avançará para 2010. A tal ponto que, em termos mundiais, as economias desenvolvidas deverão registrar um PIB médio negativo de 2% neste ano.
A América Latina deverá crescer apenas 0,5%, se crescer. A liquidez geral continuará apertada e a fuga de capitais dos países emergentes cresce. Por exemplo: o Brasil, desde o começo da crise, já perdeu US$ 100,8 bilhões.