Na prática, o regime de câmbio flutuante é o mais eficiente para auxiliar na estabilização econômica. Nele, o Banco Central participa do mercado apenas comprando ou vendendo dólares em função de suas reservas e necessidades futuras. Assim, a oscilação do câmbio fica ao sabor da oferta e demanda de dólares. Diante da forte liquidez mundial, existente nos últimos seis anos, a taxa cambial pouco oscilou, mesmo diante da crise ética e política que o atual governo vem passando. Além disso, com base no modelo de Paridade de Poder de Compra, presente nos estudos de economia internacional, se verifica que no longo prazo, para surpresa geral, o Real ainda deveria se valorizar mais em relação ao dólar, e não o contrário. De forma pontual, verifica-se que para manter a paridade de agosto de 1994, momento em que o Plano Real estava sendo lançado, a moeda brasileira, em abril de 2007, deveria estar valendo R$ 1,408 e não os R$ 2,032 que efetivamente valia. Ou seja, haveria ainda necessidade de uma valorização de 30,7%. O mesmo exercício, feito com base no mês de abril de 1999, ou seja, logo após a adoção do sistema de câmbio flutuante no Brasil, mostra que em abril de 2007 nossa moeda deveria estar valendo R$ 1,836 para manter a paridade de poder de compra de oito anos antes. Isto significava a necessidade de uma valorização de 9,64%, fato que o mercado se encarregou de fazer desde então. A diferença ocorre quando se pega como referência o mês de abril de 2005. Na época, ainda fruto da quase perda de controle ocorrida por ocasião das eleições de 2002, nossa moeda valia R$ 2,579. Isto indica, para abril/07, um valor de R$ 2,62, ou seja, uma desvalorização de nada menos do que 28,9% sobre os R$ 2,032 que efetivamente se praticava. Talvez este último período deva ser visto como exceção e não a regra a adotar.