Não é de hoje que o debate sobre o alto valor do Real em relação do dólar dos EUA ocorre no Brasil. O mesmo iniciou particularmente no final de 2004, quando o mundo viu cristalizada a perda de energia da moeda estadunidense em relação às principais moedas internacionais. Este processo não se alterou até o momento (agosto de 2007), salvo em momentos de crise bursátil como a atual. E, assim mesmo, a alteração, no caso brasileiro, parece ser relativamente tímida a julgar pelas considerações do mercado. Em primeiro lugar, vale salientar que o Brasil somente vem passando com certa tranqüilidade pelas diferentes crises mundiais porque adotou uma linha econômica eficiente, desde 1994, com o lançamento do chamado Plano Real. Esta linha, ao ser corrigida em janeiro de 1999, quando deixamos o câmbio flutuar ao sabor do mercado, foi reforçada. Em segundo lugar, o atual governo, hoje no seu segundo mandato, teve a perspicácia de manter este eixo econômico, reforçando-o ainda mais em determinados momentos (forte controle dos juros; compra de dólares para melhorar as reservas internacionais etc...). Assim, ficamos longe dos sobressaltos que momentos de instabilidade bursátil, como o atual, provocavam agudamente em nossa economia antes de 1999 especialmente. Em terceiro lugar, o mercado viu com certo alívio a correção cambial ocorrida nestas três primeiras semanas de agosto, quando nossa moeda saiu de R$ 1,85 por dólar para R$ 2,09, se estabilizando, neste momento, ao redor de R$ 2,03. Afinal, em 21 dias se assistiu a uma desvalorização do Real de quase 10%. Na expectativa de que tal movimento não dure muito, já que um dia a crise bursátil terminará, veio à tona o debate sobre a necessidade de desvalorizar ainda mais nossa moeda.
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