Alguns exemplos nacionais elucidam bem esta realidade. Na produção de soja, por exemplo, apesar de termos um custo médio de US$ 51,00/tonelada a menos do que os EUA, no custo do transporte e nas despesas portuárias o nosso custo supera o estadunidense em respectivamente US$ 71,00 e US$ 4,00 por tonelada. No final, o saldo é desfavorável à soja brasileira em US$ 24,00. No setor aéreo, onde o caos se instalou há algum tempo de forma definitiva, o número de passageiros cresceu 180% nos últimos 10 anos, enquanto a frota de aeronaves aumentou em apenas 19%, sem falar nas péssimas condições da maioria dos aeroportos e controles aéreos. Dos 4.276 aeroportos existentes no país, apenas oito possuem pistas de decolagem que suportam aviões de grande porte. No setor ferroviário, base do transporte de um país, praticamente nada existe. A velocidade média de uma composição de carga no Brasil é de apenas 25 quilômetros/hora, contra 39 a 46 quilômetros na Rússia, 64 quilômetros nos EUA e 300 quilômetros/hora na França. Isto tudo porque nossas vias férreas não suportam, de tão sucateadas, trens com velocidades maiores sem descarrilarem. Assim, enquanto a China transporta 2,2 trilhões de toneladas anuais por quilômetro de ferrovia, os EUA 2,7 trilhões e a Índia 407 bilhões, o Brasil fica com apenas 221 bilhões. Isto representa um pouco menos do que os EUA faziam na década de 1930. Os portos brasileiros levam, em média, 10 dias para liberar uma mercadoria, enquanto o Chile gasta três dias, a Suécia dois dias e a China sete dias. No porto de Santos, com 4.605 estivadores movimentamos 76 milhões de toneladas por ano. Em Roterdam (Holanda) 5.441 estivadores movimentam 378 milhões de toneladas/ano. Assim, não há crescimento econômico durável possível!