O Brasil precisa necessariamente crescer, de forma sustentável, entre 5% a 6% ao ano para poder gerar condições de absorver a maior parte de sua mão-de-obra ativa e criar novos postos de trabalho. Um crescimento deste porte permitiria, se bem administrado, gerar um melhor desenvolvimento à população. Ora, desde 1994 nosso crescimento médio ficou em 2,7% ao ano. Afinal, não se cresce sem investimentos e, particularmente, sem infra-estrutura adequada (energia elétrica, portos, estradas, comunicações...). Dentro desta realidade, o governo federal lançou um novo programa de investimentos no início deste ano, batizado de Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Isto porque o crescimento do PIB brasileiro nestes últimos seis anos, que melhorou um pouco, não se deve particularmente às melhorias na capacidade interna e sim à forte liquidez e ao empuxe internacionais. Isto tende a se esgotar! Assim, é preciso um grande esforço nacional para melhorar a qualidade de nossa infra-estrutura, de nossos serviços públicos, de nossa educação e saúde, do Estado em geral. Ora, o que se assiste é uma quase paralisia do PAC, devido a erros técnicos e a uma enorme burocracia estatal. Além disso, operações emergenciais, como a realizada nas rodovias federais do país há menos de dois anos, foram tão mal feitas e acompanhadas que nossas estradas voltaram a ser um caos, encarecendo o frete e retirando competitividade de nossos produtos. Temos hesitado, pressionados por interesses específicos que usam temas legítimos, como o meio ambiente, a não investirmos em nossa infra-estrutura, colocando a culpa de nossos problemas exclusivamente sobre os agentes econômicos externos, principalmente as transnacionais. Assim, semeamos nos últimos tempos imensos "apagões" infra-estruturais que nos atrasam.
Veja também O caos da infra-estrutura (II)

