Segundo estudos do FMI, o Brasil mais uma vez, em 2006, deverá ficar atrás dos demais países latino-americanos no que diz respeito ao crescimento econômico. Ou seja, estamos gerando menos riqueza anual quando comparados aos nossos vizinhos latinos. Isto significa menos empregos, menos arrecadação e menor possibilidade de desenvolvimento. A projeção brasileira seria de um crescimento de 3,5% tanto em 2006 quanto em 2007, contra 7,3% e 4,0% na Argentina; 5,5% e 5,2% no Chile; 5% e 4,5% no Peru; 6% e 3% na Venezuela. Apenas o México deverá ficar nos níveis brasileiros. Isto significa que estaríamos perdendo uma oportunidade importante, já que existe abundância de recursos disponíveis no mundo, originados pelo extraordinário aumento dos preços do petróleo no mercado mundial na atualidade. Duas lições são fundamentais nesta análise. Em primeiro lugar, é verdade que o Brasil está conseguindo um crescimento pífio em relação ao seu potencial e a sua estrutura econômica estabilizada. Para se ter uma idéia, teríamos necessidade de um crescimento anual de 6% para absorvermos a mão-de-obra desempregada hoje existente. No entanto, além dos juros elevados (que começaram a recuar a partir de setembro de 2005), o principal problema nacional está no custo elevado do Estado, compensado por uma enorme tributação (a mesma beira os 40% do PIB contra 20% na média de muitos países da região), sem um retorno eficiente por parte do poder público. Isto tem asfixiado o setor produtivo e levado um enorme contingente de pessoas à informalidade, sem falar no aumento da sonegação fiscal. Não é por acaso que tal assunto é o ponto central do movimento dos produtores rurais brasileiros na atualidade.
O crescimento econômico brasileiro (II)
Neste contexto, encontramos absurdos e perigos imediatos. Dentre os absurdos existentes está o fato de que o país gasta 12% de seu PIB com aposentadorias. Ora, o percentual aceitável, em termos mundiais, está ao redor de 4,5% diante de uma população de idosos que ronda os 5% apenas. Sem uma reforma previdenciária, que não acontece, continuaremos amargando situações deste tipo, que atrasam o país. Um outro perigo está no acesso de populismo que o governo Lula vem tendo, na ânsia de ganhar a reeleição em outubro próximo. Os gastos do governo em ações paternalistas e de curta duração aumentaram sensivelmente, preocupando o mercado e especialmente deixando a estabilidade da economia em risco. Isto nos remete à segunda lição. Obter crescimento graças a medidas populistas, no estilo argentino e venezuelano, não é o caminho. Estes países estão comprometendo a estabilidade de suas economias, perdendo o controle da inflação, e criando um ambiente de retrocesso econômico visível. Basta a renda do petróleo diminuir, pela redução dos preços mundiais, que o quadro caótico se instalará, inclusive com queda de governos. O desafio é criar condições de crescimento econômico mantendo a estabilidade da economia, como o Chile vem conseguindo há anos. Para tanto, temos que entender que se torna urgente, mais do que nunca, a realização de efetivas reformas do Estado, para torná-lo mais eficiente, competitivo e realmente um apoiador eficaz no sentido de um melhor desenvolvimento humano. Há mais de década falamos nisto no Brasil e não executamos. Resultado: a sociedade não suporta mais a carga fiscal e os elevados juros. Esta é a doença, cristalizada pela febre de uma realidade cambial enganosa.