Trabalhamos para chegar ao desenvolvimento socioeconômico e deixarmos de lado o eterno “país do futuro”. Todavia, jamais chegaremos a tal estágio se continuarmos com a incompetência estatal grassando em nossa economia, com a burocracia cada vez mais presente em nosso dia-a-dia, com a corrupção quase que diária se alimentando do trabalho dos brasileiros e concentrando poder, com a falta de reformas estruturais no Estado e com o consequente aumento na carga tributária nacional para poder cobrir e manter esse estado de coisas.
Para se ter uma ideia de nossa realidade, com toda a isenção de impostos que o governo brasileiro ofereceu aos cidadãos deste país, a carga tributária geral recuou para 34,28% do PIB em 2009, representando uma queda de apenas 0,57 ponto percentual em relação a 2008. Em épocas de arrecadação plena, como a que se inicia em 2010, tal carga tem variado entre 38% e 40% do PIB.
Esta brutal concentração de renda, pois ao redor de 70% fica com a União, sem que a mesma ofereça serviços adequados em retorno à população, está nos custando o desenvolvimento. A tal ponto que o Custo Brasil encarece os preços de nossos produtos, atualmente, em 36,27%, nos tirando renda, eficiência e competitividade (cf. pesquisa da Abimaq).
Custo Brasil esse causado particularmente pelos fatores citados acima, além da incompetência gerencial em muitos casos. E o que é pior: tal percentagem é resultado da mensuração de apenas oito itens enquanto o Custo Brasil tem ao menos ainda outros 30 itens que não se consegue traduzir em números.
A omissão do governo e dos legisladores, que falam muito mas agem pouco nesta área, tem sido uma das causas reais de nosso atraso socioeconômico estrutural.
E a população pagando mais impostos
Sem interesse ou capacidade para corrigir as causas do Custo Brasil, o governo brasileiro continua aumentando a carga tributária em condições normais de funcionamento da economia. Somente a defasagem na tabela do Imposto de Renda, nos últimos 15 anos, levou os contribuintes a recolher até R$ 5.061,12 a mais do que deveriam em 2009.
Quando lhe é favorável, o governo corrige imediatamente as alíquotas visando arrecadar mais para sustentar a máquina estatal perdulária. Agora, quando se trata de beneficiar os cidadãos, salvo em ações populistas e geralmente assistencialistas, as correções são lentas, quando ocorrem.
A realidade dos precatórios federais e estaduais é outro grande exemplo. Agindo desta forma, o governo concentra renda mais uma vez. A realidade exposta acima atinge em cheio justamente a classe média ou a chamada classe C, que já representa 46% da população nacional.
Esses contribuintes, em 2009, que pagaram imposto de renda sob uma alíquota de 7,5% ou 15%, poderiam estar isentos se a correção da tabela tivesse acompanhado a inflação nestes 15 anos. E, o que é pior: os ajustes na tabela do Imposto de Renda, que passam a vigorar em 2010, pouco ajudam aos brasileiros da classe C. Os mesmos continuarão entre os mais tributados da América do Sul.
Por exemplo, o recolhimento de 22,5% de Imposto de Renda no ano passado é quase duas vezes o percentual da faixa na qual está a classe média do Uruguai. Só a Argentina nos supera no subcontinente, com alíquota de 27%.
Enquanto isso, as reformas tributária e fiscal, assim como outras, são ignoradas no Brasil.
A gestão das propriedades rurais
Um dos assuntos tratados no 21º Fórum Nacional da Soja, ocorrido no dia 16/03 na Expodireto de Não-Me-Toque (RS), tratou dos desafios que a gestão das propriedades rurais enfrenta numa época de forte competição de mercado, custos médios elevados e preços que nem sempre os acompanham, como é o caso da atual safra de verão.
No painel reservado ao tema, se destacou novamente o fato de que a terra sozinha não garante sucesso no empreendimento rural. Assim, o resultado econômico das propriedades depende da qualidade do gerenciamento, utilizando-se das melhores tecnologias disponíveis.
E tal gerenciamento passa pelo controle dos custos, sendo que isoladamente, e mais uma vez, os impostos são os maiores custos de uma propriedade rural. Nestas condições, algumas conclusões importantes foram avançadas:
1) se a agricultura continuasse com a tecnologia de 65 anos atrás, não haveria terra suficiente para produzir a quantidade de alimentos de hoje;
2) a terra continuará produzindo, porém, o número de produtores continuará diminuindo, devendo o meio rural brasileiro alcançar, em 2025, apenas 9% do total de brasileiros;
3) a família deve trabalhar para a empresa e não a empresa trabalhar para a família, pois nesse último caso, em pouco tempo, não haverá mais empresa para sustentar a família.
Este recado, em escala global e particularmente estatal, pode ser transferido àqueles que se aproveitam do coletivo e do bem público para tirar proveito próprio e, sem nenhuma vergonha, discursam em defesa do desenvolvimento socioeconômico do país, geralmente buscando inimigos externos para justificar os nossos males.