Como mostra a teoria, reforçada pela prática, esses especuladores, ao ultrapassarem o limite de risco, passam a ignorar o perigo, aumentando sua audácia, pois quanto mais eles jogam, mais eles podem ganhar, sem aumentar suas perdas potenciais. Assim, os ganhos, em boa parte, são para mim, enquanto as perdas são para os outros. Na velha máxima de socializar os prejuízos e capitalizar os lucros, ou ainda, distribuir a renda com o dinheiro, a terra e o fruto do trabalho dos outros é mais adequado do que mexer com meus ganhos individuais. Nem que para isso tenha que usar a estrutura sindical e me acastelar no poder de tais instituições. Nesse contexto, o processo que vivemos hoje não está exatamente no fato de liberalizarmos a economia e incentivarmos o mercado. O mesmo está no fato de que, para tal modelo funcionar a contento, é preciso Estados organizadores, eficientes e preparados para adotar medidas que lhes permitam participar da economia mundial sem penalizarem o restante da sociedade. A falta de capacidade de organização dos Estados, dentro da nova realidade econômica mundial, não está permitindo que os mesmos construam um sistema de regulação sobre o capital financeiro. Ou seja, a abertura comercial é decisiva para o aumento dos negócios, a produção e o emprego mundial, porém, a mesma precisa criar regras efetivas em direção ao capital e aos interesses que não são produtivos. Assim, o mundo esqueceu uma lição histórica do próprio capitalismo: é preciso eliminar a busca pelo faturamento a qualquer preço, controlando de perto a qualidade do cliente que capta o dinheiro. O próprio governo brasileiro, ao abrir crédito fácil à população, sem ter capacidade produtiva suficiente, alimentou esse mesmo erro, gerando pressão inflacionária que estamos tentando sanear com alta nos juros.
Temas:
Mais colunas de Argemiro
Ver maisEconomia
Selic mantida
Economia

