Já é tema recorrente o aumento dos preços das matérias-primas mundo afora. A começar pelo petróleo e terminando com o milho, passando pelos minérios e outros produtos agrícolas, além dos insumos, o mundo vive uma pressão inflacionária importante, porém, previsível. O custo de um dólar fraco mundo afora, associado a um processo especulativo, que busca compensar a perda de receita em dólar, acelerou o movimento do capital financeiro em torno das bolsas de mercadorias. E tal movimento não tem nada a ver com a produção de biocombustível, embora a mesma não seja necessariamente a melhor solução. Apontar como culpado do processo inflacionário mundial a alta dos alimentos, devido a falta de produto e ao seu indevido uso para combustível, é não dizer a verdadeira razão do fenômeno: o sistema financeiro mundial, apoiado pelos oligopólios internacionais sempre ativos, aproveita-se de uma posição deliberada dos EUA (deixar sua moeda enfraquecer perante as principais moedas do mundo), visando solucionar problemas internos àquele país, para recuperar ganhos que estavam relativamente reprimidos nos últimos tempos. Ou seja, a posição estadunidense repassa o custo à sociedade mundial, sob a forma de inflação, mesmo diante do aumento na oferta de produtos, caso do trigo, arroz e petróleo. Um dia essa realidade muda, mesmo porque o custo do processo começa a se voltar igualmente para o seu maior interessado, ou seja, os próprios EUA. Nesse contexto, dois elementos merecem destaque. Em primeiro lugar, as crises financeiras ocorrem porque é mais fácil jogar com o dinheiro dos outros do que com o seu próprio. Assim, os especuladores, através dos Fundos, apostam bilhões de dólares diariamente, sem grande controle, aumentando os riscos.
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