Infelizmente, a julgar pelo último relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e apesar dos esforços oficiais em ações assistencialistas, o Brasil ainda está longe do desenvolvimento tão almejado.
Continuamos sendo uma Nação que gera uma riqueza importante anualmente, ficando entre as 10 maiores do mundo na atualidade. Nosso PIB, indicador que reflete a geração de riqueza formal, atingiu a US$ 1,57 trilhão em 2008, com uma renda per capita de US$ 8.297,60. A título de comparação, em 2000 o PIB era de US$ 644,98 bilhões e a renda per capita ficava em US$ 3.765,70.
Obviamente é preciso cautela na comparação, pois a taxa de câmbio média se modifica a cada ano. Todavia, por coincidência, nestes dois anos apontados o câmbio médio anual ficou em exatos R$ 1,83. Assim, o crescimento nominal de nosso PIB, em nove anos, foi de 143%, enquanto a renda per capita aumentou 120%.
Um feito que apenas reforça a importância da estabilização da economia nacional. Mas gerar mais riqueza, aumentando o PIB, não significa que alcançamos o estágio de país desenvolvido. E muito menos que estamos conquistando um desenvolvimento sustentável, para usar uma expressão da moda.
Efetivamente, desenvolvimento significa usarmos a riqueza gerada para melhorar a qualidade de vida do conjunto da população nacional, via excelentes serviços em educação, saúde, segurança, habitação e infraestrutura, para dizer o mínimo.
Ora, o que assistimos ainda é uma forte concentração de renda no Estado, que capta 38% de toda a riqueza gerada, porém, devolve à sociedade serviços de péssima qualidade, assistencialismos de curto prazo, além de continuar inchando a máquina pública, por onde se esvai o dinheiro do contribuinte e a perspectiva de desenvolvimento.
O desenvolvimento está longe (II)
Paralelamente, a população nacional vive um contexto de forte endividamento, com potencial aumento da inadimplência, o que freia logo adiante qualquer perspectiva de continuidade no consumo e mesmo do crescimento econômico.
Atualmente, pressionada pelo governo a gastar mais visando salvar o sistema industrial e certo número de empregos, a população abusou do cartão de crédito. Justamente o instrumento que cobra o juro mais exorbitante do Brasil e um dos maiores do mundo: 237,9% ao ano.
Ora, o mês de julho passado fechou com R$ 26,49 bilhões em pendências com crédito rotativo, saques em dinheiro e parcelamento com juros junto aos cartões de crédito. Esse número se agrava quando se sabe agora que 40% da população nacional, cliente de bancos, usa o cartão como instrumento de compras, mesmo sem ter as condições de honrar a conta no final.
Aqui temos mais um problema para alcançarmos o desenvolvimento: a falta de formação de nossa população em geral não permite que tenhamos a cultura econômica necessária para escaparmos de endividamentos excessivos e que barram qualquer possibilidade de melhorarmos de vida no longo prazo.
Ao preferirmos o imediato, hipotecamos o bem-estar futuro, por falta de poupança e previdência. Isso explica, dentre outras coisas, porque o Brasil recua para o 75º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), medido pelo PNUD, com base nos dados de 2007, de um total de 182 países analisados.
Embora o relatório indique melhora na posição nacional e um nível de alto desenvolvimento humano para o país nessa classificação, é bom lembrar que nosso país estava em 60º lugar com os dados de 1990 (de um total de 160 países).
Atualmente, ainda estamos atrás da Argentina e toda sua crise (49º lugar) e do Uruguai (50º lugar). Ou seja, no mínimo estamos apenas marcando passo!