Em termos econômicos, os desastres naturais no Japão vieram na pior hora possível. Quando o mundo principiava um início mais sustentado de recuperação econômica, póscrise econômico-financeira de 2007/08, esse fato, na hoje terceira economia do mundo em PIB (após os EUA e a China), e num dos maiores países desenvolvidos do Planeta, tende a provocar um recuo no processo de recuperação geral, e particularmente em parte da Ásia. Segundo dados da OMC, divulgados nesse mês de março, o comércio mundial havia crescido 17% em 2010, sendo que no último trimestre do ano passado as exportações aumentaram 9% e as importações 7%. O Japão, sozinho, registrou um crescimento de 19% nas exportações anuais e 21% nas importações, sendo 5% de aumento em ambas as situações apenas entre outubro e dezembro de 2010.
Dentre os países e regiões desenvolvidas do mundo, foi a melhor performance. Ora, o desastre natural, seguido agora de sérios problemas nas usinas atômicas da região atingida, freia este impulso e atinge a economia mundial. Embora os problemas possam, por enquanto, ainda serem considerados pontuais e de curta duração em relação à economia global, a evolução dos fatos começa a preocupar cada vez mais os mercados. Além disso, trata-se de um país que já possui um endividamento interno altíssimo e que terá que gastar uma fortuna para a reconstrução das regiões atingidas. Portanto, aumento da dívida interna e freada maior na economia local, com redução de ações externas, a começar pelos investimentos e compras.
O efeito Japão (II)
Na área das commodities, confirmando preocupações anteriores, o mercado mundial, que vinha praticando preços em constante elevação, sem razão suficiente que os justificassem, é o mais atingido no imediato. Afinal, a pressão internacional já se desenhava importante contra tal movimento altista, em função do crescimento da inflação generalizada. Um movimento onde a especulação financeira lidera em busca do ganho fácil. Assim, o processo estaria chegando a um ponto de saturação. Bastava um motivo relativamente forte para a tendência iniciar uma reversão, visando um ajuste nos preços mundiais das mercadorias. Aparentemente a desgraça japonesa deu este motivo, embora ainda seja cedo para uma conclusão definitiva. Tanto é verdade que nas últimas semanas, depois de muito tempo, as principais commodities agrícolas, negociadas em Chicago, a começar pela soja, registraram dois limites de baixa. O último, nesta terçafeira (15/03)! Nesse contexto, diante da pergunta se o desastre no Japão irá atingir a economia brasileira, a resposta é sim. E já começou em muitos setores. Basta ver a preocupação do setor suinícola do sul do país, que exporta para o Japão e começa a encontrar problemas de escoamento. Os preços da soja, se não houver uma correção altista em Chicago, poderão recuar no interior brasileiro, estimulados ainda pela excelente safra geral que se está colhendo. A Bovespa terá menos entrada de capitais japoneses, assim como os investimentos externos diretos procedentes daquele país se reduzirão.