A campanha presidencial para o segundo turno no Brasil está terminando e o resultado é que ambos os candidatos deixaram a desejar. Um mais do que outro, é verdade! Na prática, as questões essenciais para a vida brasileira foram solenemente ignoradas na maior parte do tempo. Além disso, muito das promessas realizadas são elucubrações sem possibilidades de darem resultados positivos, sem falar no fato de não serem nem mesmo viáveis economicamente, embora se note claramente qual dos dois tem mais preparo nesta área, cuja formação embasa os dois candidatos. Senão vejamos: a maior parte das medidas apontadas como a serem realizadas, se forem efetivamente postas em prática, na atual realidade da economia nacional, irão impedir qualquer possibilidade de um desenvolvimento sustentável da nação brasileira. Para agradar um eleitorado despreparado nesta área essencial, se prometeu muito. Em alguns casos, qualquer coisa, mesmo que isso não tenha nenhuma chance de ser posto em prática. Enquanto o mercado não espera e vem atropelando nossa estabilidade econômica, temas essenciais como a sobrevalorização do Real, a taxa de juros, a dívida pública, as reformas necessárias do Estado, ou a baixa capacidade de investimento, foram praticamente ignorados na maior parte do tempo. Pelo contrário, todas as propostas caminham para o aumento dos gastos do Estado, quando o mesmo já está praticamente “quebrado”. Propostas, em muitos casos, feitas no limite da irresponsabilidade fiscal.
O essencial ignorado (II)
Pode-se alegar que falar destes assuntos não gera votos! Isso é uma verdade num país sem informações suficientes nessa área. Porém, mais objetividade em torno dos assuntos que realmente contam não seria pedir demais. Assim, a população brasileira, em sua grande maioria, ao acreditar nas promessas feitas, estará votando em um engodo, como, aliás, seguidamente acontece. Uma parte expressiva do que foi apontado pelos candidatos não passa de encenação populista que, se for realmente posta em prática, termina por arruinar a estrutura econômica do Brasil. Simplesmente não há condições, hoje, de se aumentar os gastos públicos como os dois candidatos indicam. Para isso ser possível, no futuro, necessário se faz, e com urgência, reformas estruturais que há 16 anos se discute, porém, jamais saíram do papel a contento. Nota-se, inclusive, que não há programa de partido e sim uma sucessão de promessas feitas no afogadilho, conforme caminham as pesquisas de intenção de voto. Nestas condições, qualquer que seja o candidato eleito, teremos um primeiro semestre muito difícil, com possibilidade de todo o mandato se caracterizar como tal. Principalmente porque a nova formatação do Congresso Nacional não aponta para uma possibilidade concreta de se realizar as reformas, dado os interesses particulares, via bancadas, que ali estão em jogo e foram chancelados pelos eleitores. Se continuarmos escondendo da população os temas essenciais que movem uma nação, em pouco tempo jogaremos fora o que até aqui se conseguiu de positivo nestas últimas décadas.