Por Ciro Antonio Rosolem, Vice-Presidente de Estudos do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Professor Titular da Faculdade de Ciências Agrícolas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FCA/Unesp Botucatu)
Quanto mais aprendemos, mais sabemos que sabemos muito pouco. Há anos o Brasil vem sendo criticado por jogar muito carbono na atmosfera por meio das queimadas. O fogo é o principal bandido nessa história. Sempre há relatos em jornais, revistas, rádio e telejornais de que aumentou ou diminuiu o número de focos de queimadas. Isso sempre é notícia, na maioria das vezes, má notícia. São queimadas na Floresta Amazônica, no Cerrado, em Parques Ecológicos. Na cana as queimadas foram proibidas, e o setor se reinventou, produzindo cana sem uso de queimadas. As florestas, e mesmo o Cerrado, têm sido apontadas como importantes no sequestro de carbono e prevenção do aquecimento global, daí a preocupação com as queimadas.
Mas, será que o fogo é mesmo sempre ruim? Vamos olhar um pouco para o Cerrado, uma vegetação que evoluiu com queimadas mais ou menos frequentes. Os cerrados estão em solos com baixa capacidade de retenção de água, sob clima com chuvas no verão e um período bem seco. Durante o período seco, sempre foi comum a ocorrência de queimadas. O Cerrado se adaptou. As árvores típicas deste bioma são de “casca grossa”, no bom sentido. Essa casca protege os tecidos vivos do fogo, como se fosse um isolante. No caso das gramíneas, um forte desenvolvimento subterrâneo também garante uma rebrota exuberante. Outra característica destas plantas é que elas têm sistema radicular profundo, e são tolerantes ao alumínio e à baixa fertilidade do solo. Assim, o fogo as queima superficialmente e, quando rebrotam, rebrotam com toda força. Em alguns países o uso do fogo é regulamentado no manejo de pastagens.

