Todavia, o sucesso de nossa participação externa depende, em termos internos, que os agentes econômicos saibam atuar em livre mercado e com pouca intervenção do Estado. Isto requer trabalhar com a realidade regional, no que diz respeito ao poder de consumo, de endividamento e de produção que a população e as empresas possuem. Embora o capitalismo tenha por lógica a acumulação de renda, o sucesso do mesmo não passa pela acumulação a qualquer preço, a ponto de inviabilizar a produção e a incorporação de novos agentes ao mercado. Ao verificarmos as ações dos diferentes oligopólios nos países emergentes, como o nosso, percebe-se que, salvo honrosas exceções, o processo de livre mercado vem sendo usado de forma irresponsável e predatória. O caso dos preços de muitos insumos agrícolas, dos juros incorporados aos financiamentos e empréstimos e agora das tarifas bancárias, além de muitos outros, atestam que não sabemos (ou não queremos) atuar num real capitalismo de livre mercado. Neste último caso, é inconcebível que numa economia estável, com inflação sob controle, após tantos sacrifícios passados para nela chegar, tenhamos de conviver com taxas bancárias que aumentaram em até 954,17% entre 2001 e 2006, quando a inflação acumulada no período foi de 50,6% (IPCA). Que assistimos o ganho com a cobrança de serviços bancários passar de 26% da despesa com pessoal em 1994 para 102,3% em 2005. Ou seja, estamos diante de ações que não estimulam o capitalismo de mercado. A ponto das mesmas levarem os governos a intervirem novamente, e com razão, visando controlar a ganância desenfreada que tais práticas alimentam. Desta forma, não é somente o Estado despreparado que atrasa o país! Parte de seus agentes econômicos e da sociedade em geral também colabora para isto.