A partir de meados da década de 1980 o mundo entrou em mais um processo liberal de mercado. A lógica, com base na teoria da economia internacional, é que a abertura comercial favorece a geração de mais renda, pela ampliação da produção graças a um maior mercado. Esta renda adicional, se bem administrada pelas nações, gera, além de mais empregos, um desenvolvimento que pode ser sustentável. Tecnicamente, a doutrina econômica liberal, hoje chamada de neoliberal, reza que o fluxo de mercadorias e serviços, entre os países, não deve ser submetido a tarifas, a restrições quantitativas, subsídios ou a quaisquer outros impedimentos criados ou encorajados por intervenção governamental direta. Baseia-se na tese segundo a qual o uso pleno dos recursos econômicos mundiais e a conseqüente melhoria dos padrões de vida seriam inversamente proporcionais às obstruções ao comércio entre países (cf. Sandroni). Se bem praticada, a teoria se mostra positiva. A ponto dos agentes econômicos em cada país consolidarem um processo de concorrência interna e externa, baseado na eficiência produtiva e no domínio das regras de mercado. Neste caso, os controles estatais diminuem e certa desregulamentação da economia, no sentido de desburocratizá-la, é saudável e eficaz. Neste contexto, em termos externos o grande debate visando maior abertura comercial se passa no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), atualmente através da chamada Rodada de Doha, lançada em novembro de 2001. As dificuldades para chegar a acordos comerciais multilaterais nestas negociações retardam o final da Rodada. Como o assunto é importante para países como o Brasil, que tem muito a ganhar com a liberalização do comércio agrícola mundial, o governo federal se empenha em concluir de forma aceitável a Rodada.