O IBGE acaba de anunciar, ainda de forma não definitiva (sempre há correções a serem feitas durante o primeiro semestre), que o PIB brasileiro ficou, como o esperado, em apenas 2,3%. Desta maneira, mantivemos a pífia performance histórica dos últimos anos. A média dos últimos 10 anos ficou em 2,2% ao ano. Nos últimos cinco anos esta média registrou igualmente 2,2%. No primeiro mandato do presidente FHC a média foi de 2,6% (1995/1998). No seu segundo mandato, a média recuou para 2,1% (1999/2002). Agora, no primeiro mandato do presidente Lula (2003/2005) a média volta a 2,6% ao ano. Na prática, um PIB de R$ 1,8 trilhão ou US$ 740,7 bilhões (pelo dólar médio de 2005). Um crescimento muito baixo para que o país possa absorver seu contingente de mão-de-obra que todos os anos está à procura de emprego (cerca de 2,5 milhões de pessoas a cada ano). Para tanto, precisaríamos crescer anualmente, de forma sustentada, pelo menos 6%, talvez 7%. Ora, tal performance somente foi obtida, em condições específicas, na época do conhecido “milagre econômico” brasileiro, entre 1968 e 1974. A situação é ainda mais séria quando se percebe que o atual PIB somente foi maior, na América Latina, do que o paupérrimo Haiti. Todavia, cada situação particular exige uma análise específica, fato que não permite uma simples comparação percentual entre países. No entanto, para o caso brasileiro, se quisermos aumentar a nossa geração de riqueza precisamos reduzir os juros. Ora, para reduzi-los, precisamos diminuir o custo do Estado, que financia sua ineficiência relativa com a venda de títulos públicos, lastrados na taxa de juros elevada. Para que este custo diminua, precisamos das reformas do Estado. Sem reformas, pouco crescimento e nada de desenvolvimento.

