O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, no primeiro trimestre de 2009, registrou um recuo de 0,8% em relação ao quarto trimestre de 2008, o qual já havia sido negativo. Com isso, aquilo que se projetava, quando do estouro da crise econômico-financeira em setembro passado, se cristaliza.
O Brasil está tecnicamente em recessão econômica. E o mais importante nisso tudo é que o recuo, em relação a igual período do ano anterior, foi de 1,8%. Em termos anuais, considerando que o ano terminasse em março de 2009, o PIB nacional ainda indica um comportamento positivo de 3,1%.
Todavia, lembramos que a riqueza produzida no ano passado, segundo dados oficiais, foi de 5,1%. Ou seja, bastou três meses de 2009 para derrubar o PIB anualizado em dois pontos percentuais. Desta forma, a tendência para o ano continua sendo de um PIB negativo, ao redor de 0,5%, embora o governo continue esperando 1% positivo.
Se olharmos o comportamento da indústria automobilística nacional, tal tendência pode se confirmar, mesmo que este tenha sido um dos setores mais apoiado pelo governo brasileiro durante essa crise. O fato é que não podemos ficar apenas com a informação do que está sendo vendido. É preciso considerar o que realmente vem sendo produzido.
Se tomarmos o mês de maio último, notamos que as vendas de veículos cresceram 5,4% em relação a abril passado e 2,1% em relação a maio de 2008. Nos cinco primeiros meses do ano, todavia, foram vendidos 1,15 milhão de veículos ou 0,1% abaixo do realizado no mesmo período de 2008, quando a economia estava muito aquecida. Imaginem se não tivesse havido os cortes de impostos para o consumidor destes produtos!
No entanto, o governo anuncia que não irá renovar a decisão de redução dos impostos para além de 30 de junho.
O PIB Brasileiro (II)
Quanto à produção de veículos, o mês de maio somou 270.200 unidades, ou seja, um aumento de 6,7% sobre abril, porém, um recuo de 7,7% diante de maio de 2008. Pior: de janeiro a maio de 2009 o setor produziu 1,19 milhão de unidades, ou seja, uma retração de 14,2%.
Assim, o que se depreende desse quadro é que o aumento das vendas permitiu aliviar os estoques existentes, porém, ainda não se reflete na produção automobilística, quando comparamos com o mesmo período de 2008. Tanto é verdade que o desemprego continuou a aumentar no setor.
Em maio o setor empregou 120.378 pessoas, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o que representa 4,9% abaixo do registrado em maio de 2008 e 0,3% abaixo do verificado em abril de 2009. A maior baixa ficou no segmento de máquinas agrícolas, com redução de 15,5% no pessoal empregado ante maio de 2008.
Já o setor de automóveis assistiu a um declínio de 3,2% no número de pessoal empregado, quando comparado a maio de 2008. Assim, se um setor que é extremamente apoiado pelo Estado demonstra tal comportamento, pode-se imaginar o que está ocorrendo nos setores (a maioria) que não o são. Outro dado importante que vem confirmar, por enquanto, a exigência de precaução quanto ao PIB de 2009 nos chega das exportações do setor de veículos.
No somatório de automóveis e máquinas agrícolas, nossas vendas externas chegaram a US$ 600,7 milhões em maio. Um avanço de 4,5% perante abril, porém, uma queda de extraordinários 47,3% em relação a maio de 2008. Nos cinco primeiros meses de 2009 as vendas externas desse acumulado recuaram 50,8%, confirmando que ainda é muito cedo para afirmarmos que o pior da crise já tenha passado.
Talvez tenhamos apenas aprendido a conviver com ela!