Em terceiro lugar, temos exatamente no caráter assistencialista do programa um ponto a ser solucionado. Esta característica acabou tornando-o um instrumento eleitoreiro, com riscos de escapar de seus objetivos efetivos. Além disso, toda e qualquer sociedade que busca o desenvolvimento, não pode ficar dependendo eternamente de programas assistencialistas, especialmente em países, como o nosso, em que o Estado tem enormes deficiências gerenciais na área econômico-financeira. É preciso naturalmente construir as bases para que as famílias, a partir do apoio recebido, que é bem-vindo, consigam encontrar condições socioeconômicas para darem um salto de qualidade de vida via o seu trabalho, condignamente remunerado, gerando condições de autonomia econômica. Não há dúvidas de que a tendência histórica de concentração de renda no Brasil é um dos principais obstáculos a serem enfrentados. Afinal, países com renda per capita similar à brasileira têm 10% de pobres em sua população, enquanto nós estamos na casa dos 30%. Segundo dados oficiais, cerca de 55 milhões de brasileiros vivem em situação de pobreza. Destes, cerca de 22 milhões em indigência. Não há dúvidas de que programas como o Bolsa-Família auxiliam muito na arrancada para se encaminhar uma solução permanente ao problema. Todavia, os mesmos precisam criar saídas estruturais às famílias, de maneira que estas não fiquem eternamente dependentes do assistencialismo, o qual jamais gerou desenvolvimento duradouro. Neste contexto, precisamos que o Estado se reestruture para criar as condições para este salto qualitativo, saindo da armadilha dos lobistas de plantão; e que os agentes econômicos entendam que suas ações coletivas implicam no sucesso ou fracasso do processo, conforme sua visão de sociedade e desenvolvimento de uma Nação.
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