Um dos programas mais populares do governo brasileiro, lançado ainda na administração passada e adaptado a partir de 2003 pelo atual governo, é o hoje conhecido Bolsa-Família. Saindo do simples embate ideológico e político que usou este assunto durante a última campanha eleitoral, torna-se importante situarmos alguns aspectos do referido programa. Em primeiro lugar, o mesmo é importante e permite agregar renda às famílias mais pobres do país. Hoje, o mesmo destina, grosso modo, uma renda per capita mensal de R$ 120,00 às famílias em situação de pobreza extrema, desde que, dentre outros compromissos, seus filhos em idade escolar realmente se dirijam às escolas. Em segundo lugar, o programa ganha dimensão significativa porque vivemos num país com extremas desigualdades, apesar dos avanços que conseguimos construir nestes últimos 12 anos de estabilidade econômica. No Brasil, os 10% mais ricos da população são donos de 46% do total da renda nacional, enquanto os 50% mais pobres – ou seja, 87 milhões de pessoas – ficam com apenas 13,3% do total da renda nacional. Somos 14,6 milhões de analfabetos, e pelo menos 30 milhões de analfabetos funcionais. Da população de 7 a 14 anos que freqüenta a escola, menos de 70% concluem o ensino fundamental. Na faixa entre 18 e 25 anos, apenas 22% terminaram o ensino médio. Os negros são 47,3% da população brasileira, mas correspondem a 66% do total de pobres. O rendimento das mulheres correspondia a 60% do rendimento dos homens per capita de R$ 16.920,00 em 2003, enquanto o Estado do Maranhão ficou com apenas R$ 2.354,00 anuais por pessoa. Desta forma, não surpreende o entusiasmo que a população brasileira demonstra pelo Programa Bolsa-Família, além de outros programas assistenciais.
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