Aquilo que alertávamos semanas atrás se confirmou nestes últimos dias. Ou seja, a economia mundial ainda está longe de se recuperar da crise e o movimento altista dos mercados bursáteis não passa de um soluço especulativo, que traz novos dissabores aos agentes econômicos produtivos.
Assim, o que vimos foi um recuo generalizado nas cotações das principais mercadorias mundiais; uma queda importante nos índices das bolsas de valores, particularmente na de São Paulo, que estava se comportando fora do padrão das demais; e até mesmo uma recuperação do dólar perante o Real.
Quanto às cotações das mercadorias, o petróleo, que havia ultrapassado os US$ 72,00 por barril, desceu novamente. Em alguns momentos, abaixo de US$ 68,00. A soja, que havia quase alcançado os US$ 13,00 por bushel neste repique especulativo do mercado, caiu para níveis muito próximos dos US$ 11,00, perdendo quase dois dólares por bushel em poucos dias.
O mesmo ocorreu com o milho, trigo, óleo e farelo de soja em Chicago, assim como os metais em geral nas demais bolsas mundiais. Na área das ações empresariais, o tombo foi grande na Bovespa. Afinal, como havíamos alertado em comentário anterior, seus ganhos, nesse ano, destoavam das demais bolsas. A correção veio com o ajuste da especulação.
Em junho nossa bolsa foi a que menos resultado obteve. Até o dia 22 de junho a mesma havia perdido 6,96%, enquanto Wall Street perdia apenas 1,72% e o Nasdaq recuava 0,42%. Na Alemanha e na Espanha as perdas foram respectivamente de 5,0% e 0,89% no mesmo período. No Japão houve até mesmo ganhos de 3,19% em junho.
Até mesmo Buenos Aires, que registrava ganhos melhores que a Bovespa, em junho recuou menos que a brasileira, ficando em menos 4,79%.
Na área cambial, o dólar chegou a bater em R$ 2,02.
O recuo do mercado (II)
As fortes variações que se seguiram a esses resultados, ora para cima ora para baixo desde então, confirmam que o mercado continua instável e longe de uma certeza quanto ao final da crise, embora alguns indicadores sejam favoráveis. Nesse sentido, torna-se importante analisar a consistência dos ativos perante os fatos.
Ora, o forte recuo dos mesmos nesse mês de junho se deu em cima de uma notícia essencial. Trata-se da informação do Banco Mundial de que a retração da economia internacional, em 2009, não será mais de 1,7% e sim de 2,9%. Com isso, a especulação voltou a arrefecer.
A Bovespa retornou a níveis abaixo de 50.000 pontos, fato que não ocorria há um mês. Num só dia a queda do seu índice chegou a 3,66%, fato que não ocorria desde o início de março. Nos Estados Unidos e nas outras principais bolsas de valores do mundo o recuo foi o maior desde meados de abril.
Tudo isso porque o relatório do Banco Mundial, em sendo confirmado, trará à tona o primeiro PIB negativo mundial desde a Segunda Grande Guerra, encerrada em 1945. Outro dado importante: o Banco Mundial contraria o governo brasileiro e projeta um PIB brasileiro de -1,1% para esse ano, além de confirmar -4,5% na zona euro; -3% nos EUA e -6,8% no Japão.
A grande lição disso tudo, mais uma vez, é que não podemos nos deixar levar por otimismos imediatistas e, muito menos, querer transformar, à força, nossos desejos em realidade. O mercado tem seu ritmo e o tamanho da crise é muito grande para se esperar uma saída muito rápida. “A efetiva retomada da economia dependerá, na verdade, do momento em que a demanda artificial do governo for substituída pelos gastos naturais do próprio setor privado.”
Ou seja, enquanto estivermos dependendo dos recursos públicos será um sinal de que a crise não terminou.