As projeções atuais para o superávit da balança comercial brasileira, em 2005, chegam a US$ 42 bilhões. Um recorde histórico apesar do real sobrevalorizado, criando inclusive um paradoxo, pois a lógica indicaria um recuo nas exportações e um aumento nas importações, durante todo este ano, já que a moeda nacional, ao redor de R$ 2,20 deveria, pela paridade de poder de compra, fechar o ano ao redor de R$ 3,20. Já abordamos neste espaço alguns motivos que levaram a este fato, porém, cada vez mais o principal elemento se faz sentir: os exportadores estão cortando "na carne", ou seja, vendendo com prejuízo, em muitos casos, para não perderem mercado externo, conquistado de forma difícil e lentamente, durante os últimos anos. No entanto, tudo indica que a maioria não tem mais fôlego para agüentar um novo ano nestes níveis, com a possibilidade de aumentar a falência de muitas empresas exportadoras. Isto leva o governo a reagir, finalmente, de forma mais aguda, em busca de uma recuperação cambial. Além das compras de dólares pelo Banco Central, a prática dos swaps reversos permite acelerar um pouco mais a desvalorização do real. Ao mesmo tempo, a redução da taxa de juros SELIC, mesmo que lentamente, tende a auxiliar a uma menor entrada de dólares no país e, com isto, aumentar o valor do dólar. Sendo assim, e continuando neste processo, o país poderá fechar 2006 com um câmbio ao redor de R$ 2,50 e, talvez, até mesmo em R$ 2,70 como projeta o governo. O que pode atrapalhar o processo é o contexto externo. Afinal, os juros nos EUA devem continuar subindo (já estão em 4% ao ano) e a rolagem da dívida pública daquele país continuará intensa, tendo na fraqueza do dólar um aliado para atrair capitais japoneses e chineses.

