O IBGE acaba de divulgar a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), relativa ao ano de 2008. Sorriso, no Mato Grosso, alcançou um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,824, se comparando à Bulgária, e também se consolidando como o maior produtor nacional de soja e milho.
No Brasil, a agricultura alcançou, em 2008, uma área de 65,338 milhões de hectares, atingindo o valor de produção de R$ 148,4 bilhões, um acréscimo de R$ 31,9 bilhões (27,3%) em comparação com 2007. Esse incremento deve-se, principalmente, ao aumento dos preços da soja, do milho, do feijão e do arroz, e da maior produção de cana-de-açúcar, café e trigo.
Na média, o valor por tonelada colhida de soja foi de R$ 653,74 no Brasil, contra R$ 445,84 em 2007. Isso corresponde a uma elevação de 46,6%. Já em nível estadual, os valores médios por tonelada colhida foram os seguintes: Mato Grosso, R$ 561,32, correspondendo a 45,9% a mais que o valor médio de 2007; Paraná, R$ 727,95 (+49,0%); Rio Grande do Sul, R$ 715,74 (+57,3%); Goiás, R$ 639,73 (+38,0%); Mato Grosso do Sul, R$ 622,83 (+41,5%); Bahia, R$ 680,33 (+29,1%); e Minas Gerais, R$ 699,26 (+41,6%).
Note-se que o Rio Grande do Sul ficou com o segundo melhor preço da tonelada colhida e com o maior aumento percentual em relação ao ano anterior.
Soja "salva" Estados exportadores
Graças a uma produção recorde em 2009, a soja foi o grande trunfo para três Estados brasileiros. Mato Grosso, Tocantins e Roraima foram os únicos Estados que aumentaram suas exportações num ano de crise. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, a quantidade de soja vendida cresceu 27,6% até agosto passado, em comparação com o mesmo período do ano anterior, fato que compensou a queda de 10% no seu preço.
Maior produtor do país, Mato Grosso registrou alta de 16,35% nos embarques no período, considerando todos os produtos. Mesmo com a queda nas vendas de carne bovina, lucrou com aumentos superiores a 25% nas exportações de soja em grão e farelo que, juntos, representam mais de três quartos das mercadorias exportadas pelo Estado. O resultado foi suficiente para que o Centro-Oeste fosse a única região com aumento nas exportações até agosto, de 1,8%.
A safra expressiva também possibilitou à soja tomar o lugar do minério de ferro como principal item da pauta de embarques brasileiros. A soja também é a razão do aumento de 14,25% nas vendas totais de Tocantins, onde uma das mais recentes fronteiras agrícolas no interior do país, em pleno cerrado, responde por 81,72% da riqueza exportada pelo Estado.
Em Roraima, que investe mais nas vendas de produtos derivados da madeira e o peso da leguminosa nas operações não passa de 26,74%, o aumento na balança de exportações foi de 1,45% até agosto. Embora o Real sobrevalorizado prejudique as vendas ao exterior, o negócio da soja continua sendo rentável para os produtores, pois o produto tem alta liquidez.
Assim, é preciso ter muito cuidado quando se propõe, em Estados como o Rio Grande do Sul, investir na diversificação em detrimento dos grãos. Nesse momento, o único grão que efetivamente não se viabiliza tem sido o trigo. Na prática, a soja, o milho e o arroz continuam sendo atividades que realmente geram uma renda, direta e indireta, que permite até mesmo alavancar a diversificação das propriedades.
Ou seja, a diversificação é fundamental em regiões de pequenas e médias propriedades, porém, sem eliminar a produção dos grãos, particularmente a soja e o milho.
Governo tenta reagir ao dólar fraco (?)
Nesta semana o governo anunciou que os capitais financeiros (leia-se especulativos) serão taxados em 2% sob forma de IOF (imposto sobre operações financeiras). A medida visa conter a entrada de dólares no país, que está abundante e vem sobrevalorizando o Real, com claros prejuízos às exportações nacionais.
Estamos diante de uma rara ocasião em que o país se dá ao luxo de bloquear a entrada de divisas estrangeiras, fato que confirma a boa saúde econômica do Brasil. Mas forçoso é observar que a motivação oficial, com a taxação, igualmente está na necessidade de aumentar a arrecadação.
Principalmente porque, por razões eleitorais, a ideia de taxar a poupança e criar uma nova CPMF pode ser adiada para depois das eleições presidenciais, previstas para outubro de 2010. Além disso, se o objetivo fosse mesmo bloquear a entrada de dólares no país, a taxa teria que ser bem maior do que 2%.
Tanto é verdade que, após o susto inicial, o mercado rapidamente voltou ao normal, com o dólar batendo em R$ 1,72 no final de semana e a Bovespa acusando novos aumentos de seu índice.
Comercio Exterior continua fraco
A balança comercial brasileira, até o dia 18/10, acusa exportações no valor total de US$ 119,5 bilhões no ano. Um recuo de 24,6% em relação ao mesmo período do ano passado.
Quanto as importações, o valor total atinge US$ 96,9 bilhões, com um recuo de 30% em relação a 2008. O saldo chega atualmente a US$ 22,6 bilhões, contra US$ 20,56 bilhões em igual período do ano passado.
Ou seja, o crescimento do saldo comercial brasileiro, de 9,9%, se dá particularmente pelo maior recuo das importações em relação às exportações, porém, os dados gerais confirmam que o mercado externo continua em ritmo bem menor do que o ano passado. Esse fato preocupa, pois se ocorrer uma redução no ritmo de consumo no mercado interno nacional, ainda não poderemos contar com o mercado externo para garantir um melhor crescimento nesse restante de ano e, particularmente, em 2010.
Sobretudo agora em que o Real se encontra fortemente sobrevalorizado.