Hoje há US$ 150 bilhões investidos em índices de matérias-primas, representados essencialmente pela parte puramente financeira do mercado. É nesse contexto que os industriais do biocombustível já estão buscando criar um produto de segunda geração, oriundo da biomassa (assunto já em debate desde os anos de 1980). Todavia, no momento tal propósito não passa de uma aposta, já que seu custo ainda é muito elevado. Seriam precisos ainda uns 10 anos para o mundo conseguir produzir, em escala industrial, tal combustível. Para que isso dê certo é preciso que o mundo consiga utilizar, de maneira competitiva, a totalidade da planta e não somente o grão ou o tubérculo. A competitividade melhora ainda mais se a biomassa proceder da floresta e seus resíduos. Todavia, tal alternativa bate na necessidade de preservação dos solos. O húmus tem um papel fundamental na fertilidade do solo, estocando três vezes mais carbono do que as plantas terrestres, segundo pesquisadores da Escola Normal Superior de Paris. Além disso, utilizar as árvores não pode levar ao desmatamento incontrolado. Paralelamente, os rendimentos dos biocombustíveis de segunda geração são muito baixos. O uso de moléculas de celulose para biocombustível ainda requer tecnologias complexas, que devem progredir em muito para darem reais resultados. Nesse sentido, a UNCTAD (ONU) teme que os países mais pobres do mundo não consigam se apropriar de tais tecnologias, ficando ainda mais marginalizados. Enfim, das 4 bilhões de toneladas de resíduos agrícolas produzidos anualmente no mundo, levando-se em conta os diferentes usos, apenas 300 milhões de toneladas poderiam ser utilizadas como energia. Para se ter uma idéia do pouco que isso representa, a produção mundial de energia primária atinge, hoje, 11 bilhões de toneladas equivalente petróleo.
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