Recente estudo apresentado pelo BNDES indicou que o Brasil deverá realizar R$ 627,1 bilhões em investimentos entre 2008 e 2011, melhorando sua capacidade de avançar na economia global. O problema dessa performance é que a grande maioria dos mesmos depende do setor privado, já que o Estado, por não conseguir se reformar, está sem condições de investir a contento. Com o agravante de continuar inchando em alguns setores. No Rio Grande do Sul, os investimentos chegariam a R$ 30,9 bilhões. Ainda pouco para o tamanho do Estado, porém, já importante se considerarmos que o Rio Grande estava praticamente “quebrado” quando o atual governo o assumiu. Na prática, os gaúchos precisariam investir cerca de R$ 105 bilhões se considerarmos sua importância no PIB nacional. Todavia, os investimentos locais projetados podem ser um bom reinício, após tropeços ideológicos históricos, se considerarmos que apenas em 2009, pela primeira vez em 37 anos, o orçamento do Estado poderá ter um déficit zero.
Conseqüência da crise financeira
Uma das principais conseqüências da crise financeira mundial, além de todos os aspectos conjunturais já conhecidos, está se concretizando de forma estrutural. Os chamados bancos de investimentos, principais aplicadores no mercado financeiro e, portanto, atores centrais do processo especulativo que levou o mundo à crise, tendem a desaparecer. Dos que sobreviverem, a grande maioria irá se transformar em banco comercial. Não foi apenas o nome e/ou a imagem da empresa que sucumbiu à crise. Foi particularmente a atividade em si que ficou atingida. O mundo, mais uma vez, através dos excessos, acaba aprendendo a lição e procura se corrigir. Resta saber se a prática irá efetivamente melhorar!
Lições da crise financeira
Afinal, em economia de livre-mercado, dita liberal, ou neoliberal nos dias de hoje, não deveria ser o mercado a regular a crise financeira que aí está? Por que então o mercado e seus agentes correram aos Estados pedindo socorro? Efetivamente o mercado regula, é só deixar o processo caminhar e dar tempo ao tempo. O problema está no fato de que o tamanho da regulação e seu custo social sempre acabam sendo enormes, sem falar no estouro de muitos capitalistas pouco preocupados com a produção e geração de trabalho, particularmente em países com as finanças estatais desorganizadas. Nesse sentido, uma importante lição veio à tona novamente: a economia de mercado é importante, porém, ela precisa da participação de Estados eficientes, que tenham a capacidade de regulamentar certas ações, principalmente os exageros financeiros. Ora, somente podem fazer isso os Estados que organizam suas finanças e criam condições para atuarem no atual mundo globalizado. Infelizmente, poucos são esses Estados hoje mundo afora. É por isso que se defende a necessidade de reformas positivas em Estados como o brasileiro, por exemplo.
Lições da crise financeira (II)
O Estado deve ser reestruturado de maneira a poder somar em prol do crescimento e desenvolvimento do país no contexto dos novos tempos. Caso contrário ele continuará custoso, atrasado, corrupto, burocrático e tendo que ser levado nas costas pela iniciativa privada em geral e os contribuintes em particular, alimentando a corrupção e a sonegação. Fato que retira competitividade do mundo produtivo com praticamente nada retornando em troca! No caso do Brasil, se o atual governo não tivesse seguido a linha econômica deixada pelo antecessor, nós brasileiros já estaríamos de volta à “velha república”! Apenas para lembrar: nessa última semana a ONG Transparência Internacional divulgou que o Brasil perdeu sete posições na lista dos menos corruptos, ficando em 80º lugar de um total de 180 países analisados. Estamos atrás da Suazilândia, Suriname, Gana, Peru, Samoa, Namíbia, Geórgia, Cabo Verde, Seychelles e tantos outros. E isso não tem nada a ver com capitalismo e livre-mercado. Pelo contrário, geralmente está ligado a um sistema de poder calcado na estatização, que permite aos que dele se apoderam tirar proveito do sistema qualquer que seja o governo. Nos últimos cinco anos, por exemplo, fomos pródigos em apresentar casos enormes de corrupção, desmandos e falcatruas em todas as áreas, com o agravante de quase nada ter sido feito de efetivo para resolvê-los. Não há desenvolvimento sustentável que resista a uma realidade dessas!
O Biodiesel em crise
Não é de hoje que alertamos para o fato de que o biodiesel está longe de ser a panacéia para o mundo na área da energia. Diante de preços elevados dos grãos oleaginosos, bastou o petróleo cair de preço (potencialmente o mesmo pode ainda recuar para aquém dos US$ 90,00/barril, embora não seja o caso no momento), e os projetos na área do biodiesel começaram a fazer água. Há uma série de elementos sem respostas. A começar pela dúvida quanto ao verdadeiro ganho ecológico da medida, passando pela incapacidade operacional e produtiva, e terminando no custo elevado de produção industrial do produto final. Assim, sem subsídio do Estado o processo não anda. E tal subsídio passou a ficar muito caro. O mais recente caso desse processo, que acabou apenas salvando alguns empreendedores particulares de suas mazelas e não solucionando verdadeiramente problema social algum, se encontra na notícia de que a Brasil Ecodiesel (maior produtora de biodiesel do país) acaba de hipotecar sua unidade de São Luiz Gonzaga (RS), com a ANP cancelando contratos de biodiesel arrematados pela empresa. No último trimestre a empresa registrou prejuízo de R$ 82,5 milhões, sendo esse o terceiro prejuízo trimestral seguido. Esse “elefante branco”, chamado biodiesel no Brasil, ainda dará muito que falar!