Neste dia 29/06 deveremos já conhecer o resultado final da reunião do FED (Banco Central dos EUA). A expectativa é um aumento no juro básico em 0,25 pontos percentuais, passando o mesmo para 5,25% ao ano. Tal movimento será ainda mais sério se vier acompanhado por indicações de novos aumentos nas próximas reuniões do citado Banco. Isto porque um aumento nos juros dos EUA leva a uma série de conseqüências sobre as economias mundiais em geral e a dos países emergentes em particular. Em termos gerais, um aumento nestes juros aponta para uma freada na economia estadunidense, a qual vem puxando a euforia econômica internacional nestes últimos tempos. O reflexo poderá ser um aumento nos juros das demais economias mundiais. A China, diante de um aquecimento importante de sua economia, igualmente já acenou com a possibilidade de um aumento em seus juros de base. Ou seja, a economia mundial poderá partir para um processo de relativa estagnação, pois a atual euforia está levando a um aquecimento exagerado que, por sua vez, eleva os índices inflacionários, puxados também pelo aumento da liquidez mundial que estimula fortes especulações nos preços das matérias-primas internacionais. No Brasil, o primeiro impacto será uma freada na redução da taxa de juros (SELIC), com a mesma caminhando para fechar o ano entre 15% e 14% diante de tal quadro. Poderá haver saída de dólares do país e menor entrada, pois os investidores serão atraídos pelos títulos públicos dos EUA, lastreados neste juro em alta. Assim, poderemos ter uma desvalorização do real mais consolidada, pois haverá menor entrada de investimentos no país. Resultado: aperto na economia nacional em geral, com maiores reflexos na já combalida economia gaúcha.
Um retrato do subdesenvolvimento
Não é de hoje que se alerta para o fato de que o enorme custo do Estado tira competitividade dos produtos nacionais, levando a economia a perder força, empregos e espaço no mercado nacional e mundial. Nossas estradas continuam péssimas, corre-se o risco constante de falta de energia, não há sistema de armazenagem e escoamento eficiente da produção, não há formação e qualificação adequada à população em geral, não há portos eficientes. O governo, por estar numa situação de inadimplência prática, se contenta em adotar medidas paliativas, tipo a operação tapa-buracos ocorrida no final de 2005. Na área portuária, por onde passa a maioria de nossas exportações, nosso custo é desproporcional. Conforme dados da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (revista Veja, 14/06/06), o custo para movimentar um contêiner fica entre US$ 40,00 e US$ 50,00, medido em mão-de-obra. Na Argentina, o mesmo custo fica entre US$ 10,00 e US$ 20,00. Enquanto no porto de Santos conseguimos movimentar 40 contêineres por hora, ao custo de US$ 250,00 por unidade, no porto de Cingapura são movimentados 100 contêineres nesta mesma hora, a um custo de US$ 70,00 por unidade. Por sua vez, o maior porto do mundo em movimentação de carga, Rotterdam, na Holanda, funciona com 1.000 empregados, enquanto o porto de Vitória (ES), que nem é o maior do Brasil, possui cerca de 1.800 empregados. Enfim, enquanto a média mundial de tempo gasto no transporte de mercadorias para exportação, desde o local de produção até o navio, é de 27 dias, no Brasil o mesmo chega a 39 dias, contra 23 dias na Argentina e no Chile, 20 dias na China e 9 dias nos EUA. A falta de reformas na estrutura e funcionamento do Estado nos perpetua no subdesenvolvimento!