Ora, estudos existentes nos mostram que novos investimentos exigem de seis meses a um ano para maturarem. E investimentos em infra-estrutura, tipo estradas, energia, comunicações, portos etc... exigem ainda mais tempo. Em síntese, a apreciação do Real (folga cambial) existente, associada à ociosidade, permitiu, até aqui, um aumento da demanda superior ao da produção, com poucos efeitos inflacionários. Mesmo assim, os índices de inflação se elevaram em agosto e setembro, puxados por uma demanda sustentada pela maior disponibilidade de renda interna. O esgotamento da apreciação do Real para 2008, associado à utilização plena da capacidade produtiva nacional, elevam o potencial inflacionário, exigindo uma estagnação na redução dos juros por falta de investimentos suficientes. Assim, mesmo crescendo, a produção industrial no próximo ano tende a ser menor do que 2007. Isto porque os investimentos foram tardios e seu retorno é lento, particularmente os estatais, haja vista a implementação do PAC. Ou seja, não haverá capacidade produtiva suficiente para sustentar a demanda, se ela continuar aquecida no próximo ano. Assim, para evitar inflação, adota-se desde agora o remédio dos juros. Com isto freia-se parcialmente o crescimento econômico, reduzindo o PIB. A situação poderá ser mais aguda se o Real vier a se depreciar um pouco, prejudicando as importações de bens de capital. O centro disto tudo está no fato do Estado brasileiro não ter sido ajustado na oferta de infra-estrutura para alavancar, com eficiência, a produção para responder a um aumento na demanda, a começar pela energia. Se tivéssemos realizado isto, os juros poderiam baixar mais e a inflação ficaria sob controle, sem comprometer o crescimento econômico.