Recentemente o Conselho de Política Monetária (COPOM) manteve a taxa de juros básica (SELIC) em 11,25%. A próxima reunião e última do ano, prevista para o início de dezembro, provavelmente não realizará redução igualmente. Este freio no recuo do juro básico nacional está ligado à percepção de mais inflação para 2008. Ou seja, o sentimento de que a pressão altista dos preços internos será ainda importante no próximo ano levou a estagnação na queda dos juros. Preços estes puxados pelo aumento especulativo nos valores das principais mercadorias mundiais. Os mesmos só não se repercutem de forma mais intensa na economia interna porque o câmbio continua mantendo um Real cada vez mais apreciado. Mas existe outro elemento fundamental em jogo e nem sempre bem explicado. A liquidez internacional, associada a programas oficiais de apoio ao consumo popular no país, estão levando as indústrias brasileiras a trabalharem praticamente no seu limite de capacidade produtiva. Em outras palavras, por termos crescido muito pouco nos últimos anos, havia uma ociosidade relativamente importante em nossa capacidade produtiva. A recuperação do consumo elevou a produção, a qual foi favorecida pela ociosidade industrial existente. Isto impediu que a inflação efetivamente crescesse para além do que assistimos até então. Entretanto, o esgotamento da ociosidade indica um potencial inflacionário maior para 2008 se o ritmo de consumo continuar. É neste quadro que o COPOM parece estar mirando. O ideal seria maiores investimentos na capacidade instalada, já que seu nível de utilização é o maior dos últimos 30 anos. Realizar investimentos permite responder à demanda com aumento da oferta e não de preços. Porém, isto requer também melhorias na infra-estrutura nacional!Leia também Os juros e a atividade industrial (II)
Pesquisador da Embrapa, membro da Academia Brasil de Ciência Agronômica, do Cons.Consultivo Agro Sustentável, do Comitê Estratégico Soja Brasil, da Rede Soja Sustentável e do Cons Científico da ABELHA
Frederico Franco é Auditor, Administrador e Especialista em Finanças, Auditoria, Compliance e Controladoria. Atua como consultor e auditor nas áreas de Compliance, Riscos e Auditoria Interna.