No mercado interno brasileiro, os reflexos da alta internacional dos preços agrícolas, assim como de outras commodities, tipo o petróleo, elevou igualmente os preços aos produtores nacionais. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a média deste início de junho de 2008 se apresenta elevada sobre igual período de 2007. A soja, ao atingir agora R$ 42,56/saco, está ganhando 57% em relação há um ano. O milho ganha 50% no mesmo período. O trigo teve um acréscimo de preço de 35%. O sorgo deu um salto de 62%, enquanto o arroz e o feijão pularam respectivamente 69% e 214%. Já na área animal, o boi gordo registra um ganho de 19% por quilo vivo no ano considerado, enquanto a vaca gorda ganhou 21%. O quilo vivo do suíno, ao atingir R$ 2,33 na média da primeira semana de junho de 2008, acusa um ganho de 40% nos últimos 12 meses. Enfim, o leite se elevou em 27% no mesmo período. Assim, não é de surpreender que os preços dos alimentos pressionem a inflação nacional, levando o Banco Central a taxa de juro SELIC, já que a mesma é um instrumento monetário de controle dos preços. E tal movimento dos juros deverá continuar, se desenhando claramente que 2008 terminará com a SELIC pelo menos ao redor de 14%, após 11,25% no final de 2007. Por outro lado, especificamente no que diz respeito ao movimento dos preços agrícolas, a tendência continua sendo de recuo, tanto no exterior quanto no interior do país. A recuperação da produção, já iniciada pelo trigo, e o esgotamento da capacidade mundial em absorver tais elevações de preços, motivado pela desenfreada especulação dos Fundos junto às Bolsas chegará num limite, provavelmente ainda antes do final deste ano. Para tanto, o comportamento do dólar na economia mundial, a partir do resultado das eleições dos EUA, será o elemento central do movimento.
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