Passados cinco meses de 2008, o processo especulativo junto aos preços internacionais dos principais produtos agrícolas continua. Os motivos já são por demais conhecidos. O importante agora é saber até quando estes níveis altos de preços irão permanecer e em que momento haverá a reversão da tendência. Em primeiro lugar, destaca-se que em termos internacionais, os três principais grãos negociados em Chicago permanecem firmes, se comparados com o mesmo período do ano anterior, exceção feita ao trigo e que já inicia um processo lento de recuo. Assim, a média da soja naquela Bolsa, em maio/08, ficou em US$ 13,31/bushel. Já o preço do milho bateu um recorde histórico, alcançando US$ 5,97/bushel na média mensal, enquanto o trigo ficou em US$ 7,77/bushel. No mesmo mês do ano anterior, tais preços médios foram de US$ 7,70; US$ 3,70; e US$ 4,86/bushel respectivamente. Ou seja, a soja, nos últimos 12 meses, ganhou 72,8%, o milho 61,3% e o trigo 59,9%. Ganhos consideráveis se levarmos em conta a inflação mundial. Todavia, se compararmos as médias de maio/08 com as ocorridas em março/08, auge da alta dos preços internacionais até o momento, nota-se um recuo nas cotações. A soja, nestes últimos dois meses, perdeu 1,3% (embora no início de junho tenha voltado a registrar preços acima de US$ 14,00/bushel); o trigo perdeu 29,1%, e apenas o milho melhorou sua performance ganhando 9,1%. Ou seja, na medida em que a produção mundial se recupera, há fortes possibilidades dos preços mundiais recuarem. Todavia, esse processo será relativamente lento, dependendo do produto. Além disso, ele depende em muito do retorno de um dólar mais forte na economia mundial. Outrossim, a inflação mundial já pressiona o mercado a rever sua posição altista especulativa.