2008 terminou e com ele alguns indicadores econômicos confirmaram as dificuldades enfrentadas no segundo semestre do ano, por ocasião do agravamento da crise financeira mundial. O juro, representado pela Selic, permaneceu em 13,75%, contra 11,25% no final de 2007; a inflação, medida pelo IGP-M, fechou em 9,81%, contra 7,75% em 2007; já o IPCA encerra 2008 ao redor de 6%, contra 4,46% um ano antes; o dólar se valorizou 31,49%, atingindo a R$ 2,33, contra R$ 1,78 no final de 2007; a Bovespa viu seu índice sair de 63.886 pontos em dezembro de 2007 para 37.550 no último dia de 2008 (um recuo de 41,2% no ano); a balança comercial perdeu 38,9% de seu saldo registrado em 2007, ao fechar 2008 com US$ 24,7 bilhões de superávit. Enfim, o PIB real deverá registrar um crescimento entre 4% e 4,5%, após 5,4% em 2007. Junto a isso, a taxa de desemprego voltou a indicar tendência de alta, embora ainda moderada. Os primeiros acordes de 2009 começam a apontar uma consolidação de alguns indicadores e a possibilidade de melhoria em outros, caso os principais efeitos da crise sejam ultrapassados no primeiro semestre, o que está longe de ser uma evidência. Assim, o que se observa é uma situação de ajuste efetivo na economia interna do país, com os impactos da crise devendo aparecer com mais intensidade neste primeiro semestre do novo ano. Nessas condições, pelo recuo na demanda, a inflação tende a baixar, devendo se aproximar novamente do centro da meta (4,5%, pelo IPCA). Com isso, o Copom poderá reduzir a taxa de juros (Selic). Há uma expectativa no mercado de que a mesma termine 2008 em 12% (espera-se, para o bem do país, que tal redução ocorra por contingências favoráveis do mercado e não devido a pressões políticas imediatistas).
Por sua vez, o câmbio deverá se acomodar, caso efetivamente a economia internacional já tenha encontrado o fundo do poço da crise. O mesmo tende a terminar o ano entre R$ 2,00 e R$ 2,20 por dólar já que sua paridade de poder de compra, tomando-se por referência janeiro de 1999, é de R$ 2,16. Esse valor irá estimular as exportações, porém, em função da retração da demanda mundial e da redução média dos preços internacionais, particularmente na área das commodities, a receita com exportação deverá ser menor. Isso tende, mesmo com menores importações, a reduzir mais uma vez o superávit comercial (algo em torno de 30% é factível). Dessa forma conservará negativa a balança de transações correntes, fato já ocorrido em 2008. Menos mal que a entrada de investimentos externos diretos, mesmo devendo ser menor, manter-se-á positiva, auxiliando em muito a perda de força comercial. Afinal, segundo pesquisa recente, junto a 36 países, o Brasil ficou em quarto lugar no quesito “confiança empresarial” conforme 7 mil empresas entrevistadas. Todavia, esse conjunto de elementos deverá mesmo esbarrar na freada do consumo externo, que já é uma evidência, e igualmente na redução do consumo interno, que tende a se cristalizar a partir de março, salvo a manutenção da ação oficial em irrigar o mercado com dinheiro público. Diante disso, o crescimento do PIB para 2009 poderá ser bem menor, devendo ficar entre 0% e 2%, havendo analistas mais otimistas que julgam ser possível atingir 3%. Mesmo assim, um corte de quase metade do esperado para 2008. Isso representa menos empregos, porém, demonstra que, se não nos descuidarmos, poderemos evitar a recessão, hoje já presente nas principais economias do mundo. Porém, um novo problema surgiu no horizonte: a possibilidade de quebra importante na safra agrícola.