Saiba como identificar e controlar a ferrugem da soja, doença recém-chegada ao Brasil e que já causou imensos danos em diversos países
José Tadashi Yorinori,
Embrapa Soja
Wilfrido Morel Paiva,
Cria/Paraguai
A ferrugem da soja, causada pelo fungo Phakopsora pa-chyrhizi, foi identificada pela primeira vez no continente Americano, no dia 5 de março de 2001 (W. M. Paiva), na localidade de Pirapó (Itapúa), Paraguai. Verificou-se, posteriormente, ao final dessa safra, que a doença já estava amplamente disseminada no Paraguai e no Estado do Paraná. Na safra 2001/02, a doença atingiu todas as regiões produtoras de soja do Paraguai. Porém, em virtude da forte estiagem que atingiu o país, não houve perdas econômicas. No Brasil, a doença foi constatada nos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso. Os municípios mais atingidos foram: Passo Fundo, Cruz Alta, Cruzaltinha (RS); Ortigueira, Ponta Grossa, Guarapuava (PR); Chapadão do Sul, Costa Rica, São Gabriel D’Oeste (MS); Chapadão do Céu, Rio Verde, Jatai, Mineiros, Portelândia, Santa Rita do Araguai (GO); e Alto Taquari, Alto Araguai, Alto Garças (MT). Perdas de rendimento para a lavoura, variando de 30% a 70%, foram registradas em Chapadão do Sul, Chapadão do Céu, Costa Rica, Alto Taquari e Cruzaltinha. Somente nos municípios de Chapadão do Sul, Costa Rica (MS) e Chapadão do Céu, que representam cerca de 220.000 ha de soja, estima-se perdas de 30% da produção (cerca de 59.281,4 t, a 50 sacos /ha) ou o equivalente a US$13,00 milhões (US$220,50/T). Lavouras mais atingidas perderam até 70% (colhidos 840-900 kg/ha).
SINTOMAS DA FERRUGEM
Os primeiros sintomas da ferrugem são caracterizados por minúsculos pontos (no máximo 1mm de diâmetro) mais escuros do que o tecido sadio da folha, de uma coloração esverdeada a cinza-esverdeada. Para melhor visualização, deve-se tomar uma folha suspeita e observá-la, pela página superior, contra um fundo claro (o céu, por exemplo). Uma vez localizado o ponto suspeito, confirmar com uma lupa de 10x a 30x de aumento, ou sob um microscópio estereoscópio, desta vez, observando pelo verso da folha. No local correspondente ao ponto, observa-se, inicialmente, uma minúscula protuberância, semelhante a uma ferida (bolha) por escaldadura, sendo esta o início da formação da estrutura de frutificação do fungo, a urédia. Para facilitar a visualização das urédias (sob a lupa ou microscópio), fazer com que a luz incida com a máxima inclinação sobre a superfície da folha (vista pela face inferior), de modo a formar sombra de um dos lados das urédias. Esse procedimento permitira a observação das urédias, a campo, mesmo sem o auxílio de uma lupa de bolso (a olho-nú ). Progressivamente, a protuberância adquire coloração castanho-clara a castanho-escura, abre-se em um minúsculo poro, expelindo daí, os uresdoporos. Os uredosporos, inicialmente de coloração hialina (cristalina), tornam-se bege e acumulam-se ao redor dos poros ou são carregados pelo vento. O número de urédias (ou pústulas), por ponto, pode variar de uma a seis. À medida que prossegue a esporulação, o tecido da folha ao redor das primeiras uréias adquire coloração castanho-clara (lesão do tipo TAN) a castanho-avermelhada (lesão do tipo RB), formado as lesões que são facilmente visíveis em ambas as faces da folha. As urédias que deixaram de esporular apresentam as pústulas, nitidamente, com os poros abertos, o que permite distinguir da pústula bacteriana, causa freqüente de confusão. A ferrugem pode também ser facilmente confundida com as lesões iniciais de mancha parda (septoria glycines). Esta forma um halo amarelo ao redor da lesão necrótica, que é angular e castanho-avermelhado. Em ambos os casos, as folhas infectadas amarelam, secam e caem prematuramente. A semelhança do aspecto visual de lavouras afetadas por mancha parda e ferrugem e o uso de fungicidas para contole de doença de final de ciclo, podem ter feito com que a ferrugem não fosse identificada em muitas lavouras e regiões onde não foi registrada na safra 2001/02.

