Mas a questão central é outra! Está na forma de se alcançar um crescimento econômico maior. E, neste aspecto, não resolve entrarmos na lógica de optarmos pelo afrouxamento do controle sobre a inflação, liberando mais recursos na economia, em troca de um PIB maior. O resultado, no médio prazo, será um descompasso inflacionário que a população terá que pagar, além de comprometer a estabilidade econômica estrutural. Esta proposta, afoitamente batizada de “desenvolvimentista”, está levando a Argentina, por exemplo, a situação extremamente difícil, apesar de um crescimento econômico forte. A inflação real argentina disparou e o Estado está perdendo o controle sobre a mesma, inclusive havendo falta de produtos nos supermercados. Na verdade, o centro do problema, que impede um maior crescimento econômico, é a incapacidade do Estado em reformar a sua estrutura. No Brasil, esta causa já foi há muito detectada, porém, jamais atacada. O custo do Estado brasileiro, e a incompetência dos diferentes governos em reduzi-lo, faz com que se precise de mais e mais recursos para girar uma máquina pública ineficiente e burocrática. Assim, aumentam os impostos (hoje a tributação nacional representa 38,8% do PIB), os juros não baixam à nível aceitável porque há necessidade de rolar a dívida pública (hoje superior a R$ 1,0 trilhão) através da venda de títulos do governo, indexados na Selic. Com isto, o custo para os agentes econômicos e para a própria capacidade produtiva estatal é enorme, concentrando renda e retirando boa parte da capacidade produtiva nacional. Ou fazemos as reformas (previdenciária, administrativa, tributária, fiscal, trabalhista...) ou um maior crescimento apenas virá com a desestabilização econômica, não sendo sustentável.
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