A economia brasileira começa a responder às ações oficiais no sentido de freá-la. Assim, o crescimento do PIB nacional, no segundo trimestre de 2010, caiu para 0,6% após 2,7% no primeiro trimestre do ano. Mesmo assim, se comparado ao primeiro semestre de 2009, os primeiros seis meses do corrente ano registram um crescimento estupendo de 8,4%, sendo a maior taxa desde o primeiro semestre de 1995. Todavia, nos 12 meses encerrados em junho de 2010, o crescimento econômico ficou em 4,9%, após uma tendência inicial indicando 7,7% no início do ano. O que isso tudo significa? Que o governo brasileiro, percebendo que a economia nacional não possui condições de crescer a taxas anuais acima de 5%, por absoluta falta de investimentos nos últimos anos, passou a frear o crescimento do PIB, obtendo êxito já no final do primeiro semestre. Além da base de comparação ser muito baixa (primeiro semestre de 2009, auge da recessão econômica motivada pela crise), o governo interrompeu, na maior parte dos casos, os estímulos que deu para aumentar o consumo, via redução de impostos e outras ações; aumentou a taxa de juros, com a Selic chegando hoje a 10,75%, fato que freou a inflação, que vinha crescendo pelo aquecimento da economia, via redução do consumo geral; a crise econômica mundial está longe de terminar, com os países desenvolvidos comprando ainda muito pouco e, por fim, a sociedade brasileira, fortemente endividada, estaria segurando um pouco seus gastos.
PIB, Juros e Consumo (II)
Em conseqüência, começamos a ter uma redução na geração de empregos, com forte possibilidade de alguns setores voltarem lentamente a desempregarem. Por outro lado, essa nova tendência de crescimento econômico deverá impedir que a taxa básica de juros (Selic) continue subindo e, com ela, os demais juros na economia. No final desta próxima reunião do Copom provavelmente veremos o último aumento da Selic neste ano, o qual deverá ficar ao redor de 0,25 ponto percentual, elevando a taxa anual para 11%, contra uma expectativa inicial de 12% e até mais no final de 2010. Entretanto, se é verdade que o consumo interno começa a arrefecer, também é verdade que, graças a um Real sobrevalorizado, o brasileiro que viaja ao exterior continua gastando muito. Apenas em julho passado os brasileiros consumiram, nas viagens externas e nas compras pela internet no mercado internacional, o recorde de US$ 1,54 bilhão. Um contra-senso, já que os estrangeiros que aqui vieram em julho, geralmente de países mais ricos que o nosso, deixaram US$ 1,09 bilhão, o que resultou em um saldo negativo de US$ 450 milhões apenas em julho na conta turismo (o pior resultado desde 1947). No acumulado dos primeiros sete meses do ano, o turismo internacional já levou do Brasil US$ 8,58 bilhões, contra US$ 5,5 bilhões que os estrangeiros aqui deixaram. Mesmo assim, o Real tende a continuar se valorizando, pois a continuidade da crise nos países ricos traz ainda mais capital especulativo para cá, já que os juros internacionais continuarão muito baixos em relação aos brasileiros.