João Eustáquio Cabral de Miranda*
Joaquim Resende Pereira*
*Pesquisadores da Embrapa Gado de Leite
Dentre as diversas espécies de gramíneas que se prestam para ensilagem, o milho e o sorgo são as que melhor se adaptam para tal finalidade. Isto se deve à facilidade de cultivo, altos rendimentos de massa verde e grãos, e especialmente à qualidade da silagem produzida, sem necessidade de qualquer aditivo químico ou biológico.
Na época normal de plantio, em locais onde a pluviosidade é regular, o mais recomendado para silagem é o plantio do milho, pois é uma cultura amplamente difundida em todo o País, com técnicas culturais avançadas e bem conhecidas. Em locais e/ou épocas em que existam restrições hídricas, o mais adequado é o plantio do sorgo, por ser esta espécie mais tolerante à seca do que o milho. O sorgo ainda apresenta outras vantagens, como:
Maior rusticidade;
Plantio em regiões marginais ao cultivo do milho;
Maior amplitude de época de plantio, de setembro até março;
Menor custo de produção;
Elevado potencial de produção, até 100 t/ha de massa verde, por ano, em dois cortes;
Possibilidade de uso da rebrota, colhendo-se no segundo corte de 30 até 70% da produção obtida no primeiro corte, diminuindo o custo de produção por hectare;
Na colheita, o corte é mais fácil e mais uniforme;
Maior facilidade de compactação durante o processo de ensilagem;
Em áreas próximas a centros urbanos, plantios de milho estão sujeitos a roubos de espigas. Com a lavoura de sorgo isto não acontece.
O sorgo também apresenta algumas limitações, como:
Falta de tradição da cultura;
Lento estabelecimento inicial da lavoura;
Existem poucos herbicidas seletivos para o sorgo;
Sensibilidade ao frio;
O período de colheita é menor;
Ataque de pássaros, que pode ser problema em lavouras pequenas;
Sensibilidade ao fotoperíodo, principalmente em cultivares de porte alto;
Possibilidade de acamamento ou tombamento da planta, que limita muito o plantio de cultivares de porte alto, acima de 2,70 metros de altura. Essa é uma característica genética, muito influenciada por fatores de meio ambiente, como adubação, balanço entre nitrogênio e potássio, ventos, doenças, densidade etc.
O sorgo apresenta três tipos de cultivares com características bem distintas: forrageiro tradicional, duplo-propósito e granífero.
SORGO FORRAGEIRO TRADICIONAL: São plantas de porte alto, acima de 2,70 metros de altura, o que confere a essas cultivares um alto potencial de produção de massa verde. Existem no mercado várias empresas produzindo híbridos e variedades adaptadas às diversas condições brasileiras. As variedades geralmente têm menor potencial de produção que os híbridos, especialmente em termos de grãos. A produção de massa verde dos híbridos é alta, variando de 50 a 70 t/ha no primeiro corte e têm boa rebrota, colhendo-se de 30 a 70% no segundo corte, dependendo da temperatura, da disponibilidade de água, da fertilidade do solo e adubação etc. A maior vantagem do sorgo forrageiro tradicional é o baixo custo da silagem produzida. Entretanto, a qualidade da silagem é inferior a uma boa silagem de milho, devido à baixa produção de grãos. Em geral, os sorgos forrageiros de porte alto comercializados no Brasil apresentam colmos suculentos, com alto teor de açúcares, pois são derivados de materiais genéticos chamados de sorgo sacarino. Ao utilizar tais cultivares, o produtor deve atentar para o fato de ao fazer a colheita as plantas apresentarem-se com 30% de matéria seca, aproximadamente, para evitar a perda de nutrientes por lixiviação (umidade escorrendo no fundo do silo), para obter bom padrão de fermentação, e, conseqüentemente, obter uma silagem de boa qualidade. Cultivares de porte alto desenvolvidos no Centro-Sul do País geralmente são sensíveis ao fotoperíodo, ou seja, diminui a produção de forragem quando o plantio é efetuado tardiamente. Quanto mais tarde o plantio, menor será o crescimento das plantas, implicando menor produção de massa verde. Cultivares de porte alto são muito propensos ao acamamento ou tombamento das plantas, causando sérios prejuízos aos produtores, afetando a qualidade e o custo da silagem, pela perda de grãos e de folhas, além de dificultar ou impossibilitar a colheita mecanizada.
Ao optar pelo plantio do sorgo forrageiro tradicional, o produtor e o técnico devem estar bem cientes dos riscos quanto ao acamamento. Este tipo de cultivar não deve ser indicada para produção de silagem para animais de alta lactação, porque haverá a necessidade de se suplementar a dieta com maior quantidade de ração concentrada. Entretanto, pode ser uma boa opção para rebanhos de média / baixa produção de leite ou para alimentar animais em recria durante a seca. O espaçamento entre linhas deve ser de 80 a 90 cm, distribuindo-se de 10 a 12 sementes por metro linear de sulco, no plantio, para se obter uma população de 90.000 a 110.000 plantas por hectare na colheita, visando diminuir os riscos de acamamento. Gasta-se cerca de 6 kg de sementes por hectare. A adubação deve ser equilibrada em termos de nitrogênio e potássio, para minimizar os riscos de tombamento das plantas.
SORGO DE DUPLO-PROPÓSITO: Na verdade, é preferível dizer que são sorgos forrageiros de alta qualidade. Produzem silagem de qualidade comparável à de milho. São híbridos de porte médio, com plantas variando de 2,00 a 2,30 metros de altura. A produção de massa verde é alta, variando de 40 a 55 t/ha no primeiro corte, com boa produção de grãos (4 a 6 t/ha), o que confere alta qualidade à silagem. Normalmente, a participação das diferentes partes da planta na composição da matéria seca da silagem varia de 35 a 45% de grãos, 15% de folhas e 40 a 50% de caule.