Vem de longe essa triste relação entre a reforma agrária e a ecologia. Dentro do Incra, desde 1987 o prof Jacó Anderle, então superintendente em Santa Catarina, denunciava o avanço das invasões sobre remanescentes da mata atlântica. Cobertos por araucária, tais florestas virgens eram catalogadas como áreas ociosas.
Inúmeras desapropriações para reforma agrária têm sido apontadas, há anos, como agressivas à biodiversidade. No litoral sul da Bahia, assentamentos rurais se estabelecem sobre valiosas dunas de areia, extendendo-se até a praia. No nordeste, ecossistemas frágeis, de baixa produtividade natural, foram aniquilados, como se observa em Touros, RN. Ali, na antiga fazenda Zabelê, na zona litorânea, os assentados do projeto Quilombo dos Palmares destruíram a vegetação natural. Tomaram enorme seca de castigo.
No Paraná, escandaloso exemplo chega da Fazenda Araupel, no município de Rio Bonito do Iguaçu. A maior extensão particular de mata atlântica da região sul, com 53 mil hectares, acabou invadida e desapropriada em nome da pobreza rural. O Incra, acuado, prometeu realizar um assentamento ecológico. Conversa fiada.

