Esta conta o mundo não está disposto a pagar por muito mais tempo. Mesmo porque se sabe que um dia o processo se reverterá. Afinal, a China, com sua abertura econômica para o mundo, está cada vez mais sensível à conjuntura do comércio internacional. Um dos pontos centrais desta questão está no fato de que os EUA, de longa data, vêm pressionando o governo chinês a valorizar sua moeda (yuan) a fim de que os chineses importem mais do restante do mundo. Neste contexto, o grande problema chinês, e uma fonte potencial de desequilíbrio, não está na sua solvabilidade e liquidez em divisas mas sim sobre a sua capacidade em conduzir uma política monetária eficaz no quadro de um regime cambial ancorado no dólar. Além disso, apesar dos olhares se voltarem para a industrialização e urbanização do país, a China continua sendo um país bastante agrícola. A agricultura representa ainda 13% do PIB chinês, hoje o quarto do mundo, gerando ainda 40% dos empregos do país. Apesar disto, a agricultura chinesa é atrasada, com uma produtividade baixa e fraca modernização. Paralelamente, embora o imenso território, a água se faz rara naquele país, com regiões de produção extremamente pequenas. O país ainda possui 200 milhões de lares que exploram 0,6 hectare em média. A situação do meio rural chinês vem se degradando desde 1990, com as desigualdades aumentando sensivelmente em relação à população urbana. Tem-se aí uma outra fonte de instabilidade, agora social, que o governo chinês encontra dificuldades em resolver. Os agricultores chineses são, mais do que nunca, cidadãos de segunda categoria, fato que os leva a abandonar a terra e buscar emprego nas indústrias das cidades costeiras, lá onde o PIB realmente cresce. Desafio: como proceder a uma aterrissagem econômica controlada?