A economia chinesa vem crescendo de forma significativa nos últimos anos. Na prática, as reformas estabelecidas na sua economia, após a morte de Mao em meados dos anos de 1970, colocaram este país asiático no centro do debate econômico mundial, a ponto de seu modelo ser classificado popularmente de "socialismo de mercado". Ou seja, um país de práticas comunistas ditatoriais, com forte economia de mercado. O anúncio de um crescimento de 11,1% de seu PIB no primeiro trimestre deste ano de 2007, após 10,3% de expansão no ano de 2006 e, particularmente, após o anúncio do governo central chinês de que seu trabalho seria conter o crescimento ao redor de 8% neste ano, assustou a economia mundial. Por quê? Simplesmente porque, assim como crescer pouco é um desconforto, um crescimento acelerado e demasiado é impossível de ser mantido. Em suma: o país não possui condições macroeconômicas para sustentar tal ritmo por muito tempo, sem gerar um processo inflacionário incontrolável. Uma intervenção do governo, via alta de juros, controle do crédito e elevação dos depósitos compulsórios dos bancos, será ainda mais necessária. O freio a ser imposto poderá causar problemas no setor imobiliário e, por conseqüência, no setor financeiro. Daí, é um passo para o restante da economia mundial sentir os impactos, pois a poupança chinesa poderá ser deslocada, reduzindo a capacidade de rolagem da dívida pública dos EUA (a China é um dos maiores compradores de títulos públicos dos EUA). Paralelamente, e em outro sentido, o descontrole do crescimento econômico chinês tende a manter um fluxo comercial intenso para àquele país, elevando o preço mundial das mercadorias, e acelerando a pressão inflacionária internacional, a começar pelo petróleo.
Confira Por que a China assusta (II) ?

