Confirmando as preocupações expostas na virada do ano, 2009 avança e não dá mostras de grandes melhorias no cenário econômico. Soluços de recuperação têm acontecido, porém, são efêmeros num horizonte de longo prazo. Assim, a premissa básica continua: é preciso muito trabalho e paciência para que o mundo saia da crise econômico-financeira. O mês de junho foi lapidar nesse sentido.
Os setores que respiraram um pouco foram àqueles apoiados pelo Estado, porém, não demonstram nenhuma capacidade de prosseguirem avançando por conta própria. Não por enquanto! As bolsas registraram novos recuos médios e os preços voltaram a cair. Tudo isso por diversas razões importantes e estruturais, tanto externas como internas.
Algumas delas vamos elencar nesse pequeno comentário. Em primeiro lugar, como bem lembra Paul Krugman (atual Nobel de Economia) a cultura de irresponsabilidade financeira, causadora da crise, persiste em muitos aspectos. Hoje, a atividade bancária, particularmente nos EUA, “é financiar arriscados ativos de longo prazo com pouca liquidez”.
Isso gerou um sistema financeiro paralelo, onde a maioria das instituições não é regulamentada. Em segundo lugar, o plano do presidente Obama, recentemente anunciado (mais um), precisa tirar esses “bancos” do limbo, passando a controlá-los eficazmente.
O plano não deixa muito claro isso, causando desconfiança no mercado. Além disso, há fortes dúvidas quanto à capacidade estatal de gerenciar o excesso financeiro ainda presente no mundo. Paralelamente, a maioria dos bancos ainda pensa em se recuperar da crise para voltar a pagar desproporcionais gratificações aos seus quadros funcionais, alimentando o processo de crise.
Por outro lado, o plano nada diz sobre como lidar com estas “práticas de compensação”.
Por que a economia patina (?) (II)
Além disso, o plano de Obama não indica como pretende reformar as agências de classificação de risco as quais, por erro ou omissão, acabaram aprovando por longo tempo papéis duvidosos, fato que auxiliou na formação da atual crise.
Paralelamente, os EUA continuam com elevado desemprego (o mesmo é o maior em quase 26 anos, tendo os norte-americanos, desde que começou a crise, perdido 6,5 milhões de postos de trabalho); salários estagnados e com tendência a recuarem; uma forte crise fiscal estadual; e interesses políticos contrários que pensam em benefício próprio e não em uma solução coletiva.
Nesse contexto, a Comissão Federal de Garantia de Depósitos Bancários dos EUA acaba de anunciar que somente neste ano de 2009 já faliram 52 bancos. Esse número é mais do que o dobro dos 25 bancos fechados em 2008 e dos 3 bancos falidos em 2007. Ora, o mercado sente o impacto, por mais irresponsável que seja na sua ânsia especulativa, e recua.
Outro aspecto essencial, e que igualmente vale para o Brasil: os consumidores têm a ilusão de que os imóveis tendem a aumentar seus preços constantemente. Não é verdade! Um aumento contínuo inviabiliza a compra dos mesmos no futuro. Aliás, essa foi a base do estouro da bolha imobiliária nos EUA e que vem sendo construída no Brasil de certa forma. Enfim, e o que é pior, dois elementos preocupantes: a forte inadimplência dos consumidores e a contínua elevação do custo do Estado.
No caso brasileiro, por exemplo, um a cada 10 brasileiros está no vermelho de forma contínua. Para a maioria, atualmente o cheque especial, com juros próximos a 150% ao ano, é usado em 22 dias do mês. Já o Estado nacional vem contratando a uma média de quase 1.000 novos funcionários por dia, fazendo o contrário do que precisa.
Não há como recuperar estruturalmente a economia dessa forma!