Devido à localização na fronteira com a Bolívia, e também à grande carência de assistência técnica na área da produção rural no país vizinho, é freqüente a procura por esse tipo de informações na Embrapa Pantanal, por parte principalmente dos produtores rurais bolivianos que trabalham ou residem próximos à divisa com o Brasil, na cidade de Corumbá, MS. Imbuída de um espírito de solidariedade, e preocupada com a conservação ambiental no bioma Pantanal, os técnicos e pesquisadores da Embrapa Pantanal atendem, sempre que possível, a essa demanda. Exemplo disso é o caso da horticultura, relatado a seguir. No caso específico da horticultura, além dos aspectos mencionados acima, destaca-se o fato de que quase toda a produção hortícola do município de Puerto Suarez, na Bolívia, é comercializada e consumida no Brasil, nas cidades de Corumbá e Ladário, e em virtude disso existe a preocupação da Embrapa Pantanal quanto à segurança alimentar da população local.
A atividade hortícola teve início há pouco mais de uma década em Puerto Suarez, sendo a produtora mais antiga a Sra. Mary Moron, que iniciou suas atividades há 14 anos, e atualmente é a presidente da Associação de Horticultores desse município. Segundo essa entidade, há aproximadamente 50 horticultores na região peri-urbana do município, dos quais 23 estão associados.
Há também cerca de 50 horticultores na região rural, porém não filiados à associação. Segundo Hebert Sanchez Chavez, Secretário da Câmara Municipal de Vereadores, o município conta com aproximadamente 11.000 habitantes. Visitou-se 9 áreas de produção de hortaliças no município, sendo 7 na região peri-urbana e duas na região rural. A mão-de-obra predominante é a familiar, sendo a horticultura a única ocupação econômica para a maioria destas pessoas, e observa-se, em alguns casos, a utilização de mão de obra infantil. A atividade é praticada em pequenas áreas, de aproximadamente um a dois hectares, freqüentemente com permissão de uso da terra no sistema de parceria (“meeiros”) ou arrendadas (a única exceção é a Sra. Mary Moron que é proprietária da área onde explora a atividade), com metade da produção ou do valor desta destinada ao proprietário da terra.
Observa-se, na região, duas épocas de produção bem definidas, sendo a primeira de março a agosto, coincidindo com o período de menor precipitação pluvial e temperaturas mais baixas (conhecido como “época da seca”), e a segunda de setembro a fevereiro, quando a temperatura e a precipitação são mais elevadas (conhecido como “época das águas”). A produção de hortaliças é mais intensa no período seco, quando produz-se, predominantemente, alface, tomate, couve, couve-flor, pimentão, acelga, espinafre, repolho, beterraba, acelga e cenoura. Já no período chuvoso a produção predominante é de alface, couve, cebola, alho e agrião. É pequena a utilização de cultivo protegido, tendo-se observado apenas a utilização de sombrite ou folhas de palmeiras, principalmente o acurí, para proporcionar sombreamento artificial. A produção hortícola tem finalidade comercial, não tendo sido observado produção exclusiva para o consumo de subsistência, nem mesmo em lotes urbanos ou nos quintais das residências.

