O mercado agropecuário gaúcho, seguindo a tendência assumida quando do estouro da crise econômico-financeira mundial, continua com preços baixos. Em muitos casos longe de pagar os custos de produção. Esta situação piora um dos problemas centrais dos produtores rurais de nosso Estado e mesmo do país: realizam um giro importante de dinheiro, porém, não conseguem gerar renda suficiente para constituir uma poupança aceitável.
Para se ter uma ideia da evolução dos preços dos principais produtos agropecuários e, com isso, a comprovação da constatação acima, analisamos a seguir a evolução do mercado nesses últimos 12 meses (final de agosto de 2008 a final de agosto de 2009).
O produto que melhor se comportou foi a soja. Nesse momento, a média gaúcha, no balcão, se encontra em R$ 42,00 por saco. Um ano antes, o produtor recebia R$ 40,00. Assim, num ano o ganho é de 5%. Todavia, em Chicago a cotação do bushel recuou, no período, de US$ 13,41 para US$ 10,91 (perda de 18,6%). O que salvou os produtores foi o câmbio. Mesmo sobrevalorizado no momento (R$ 1,85), o valor de nossa moeda estava em R$ 1,61 um ano antes.
Ou seja, a moeda estadunidense ainda está 13% mais forte do que há um ano atrás, embora tenha chegado a R$ 2,44 no início de março de 2009. Quanto ao milho, o preço médio gaúcho despencou de R$ 22,45/saco em agosto de 2008, para apenas R$ 17,16 neste final de agosto de 2009, havendo muitos locais pagando R$ 16,00.
A perda para o produtor é de 23,5% levando-se em conta os preços médios praticados. O trigo, por sua vez, teve um comportamento também desastroso. De um preço médio de R$ 27,38/saco no ano passado, o mesmo chega agora a R$ 21,99 (perda de 19,7%). E não há perspectivas de recuperação, para os três produtos, no médio prazo!
Preços agrícolas continuam baixos (II)
No mercado do arroz, a evolução anual aqui considerada aponta para uma perda de 18,2%, com o preço médio do saco de 50 quilos, pago ao produtor, passando de R$ 33,16 em fins de agosto de 2008 para R$ 27,11 atualmente. No caso do feijão preto o desastre é ainda maior!
De um valor de R$ 121,36/saco, o produto passa hoje para a média de R$ 67,02/saco. Isso representa um recuo de 44,8% em um ano. O sorgo, por sua vez, atesta um recuo de 28,6% no período, com o preço ao produtor recuando de R$ 19,20 para R$ 13,70/saco no período. No setor das carnes o quadro é o mesmo.
O quilo vivo do boi gordo, por exemplo, que estava cotado a R$ 2,90 em fins de agosto do ano passado, está hoje em R$ 2,67, perdendo 7,9% (e isso que seu preço se recuperou nos últimos meses, pois no início de maio de 2009 esteve em R$ 2,41). Já o quilo vivo do suíno não teve a mesma sorte! De R$ 2,70, o mesmo chegou a R$ 1,67, registrando uma perda de 38,1% no ano.
Quanto ao frango, o quilo vivo ao criador gaúcho saiu de R$ 1,68 para R$ 1,65, acusando uma perda de 1,8%. Por sua vez, o preço do litro de leite ao produtor , após um longo período de recuo no primeiro semestre, se recuperou um pouco, chegando agora a R$ 0,65, contra R$ 0,60 no ano passado nessa mesma época.
Embora alguns componentes dos custos de produção tenham recuado, proporcionalmente a situação está longe de ser compensada. Assim, nota-se que a crise internacional, ainda presente em nossa economia, mesmo havendo sinais de um início de retomada, causou um revés importante no valor dos produtos negociados pelo agronegócio gaúcho e brasileiro.
Diante desse cenário, torna-se ainda mais preocupante o fato de que muitos produtores se lançaram a realizar investimentos pesados, estimulados pelo governo, via programas tipo Mais Alimentos.