O Brasil e grande parte do mundo, que dispõem de um sistema previdenciário estatal, se encontram, nesses últimos anos, diante de um desafio importante. Reformar a previdência antes que o sistema se inviabilize. Naturalmente há reações contrárias, pois quem está vivendo do sistema não deseja repartir as vantagens com diminuição de seus ganhos. Na verdade, não necessariamente isso precisa ser feito. Reforma se faz para adaptar o sistema, qualquer que seja ele, aos novos tempos, particularmente econômicos e, nesse caso, demográficos, a fim de que o mesmo seja mais eficiente e perdure em favor das gerações futuras. Em muitos casos, a falta de visão em direção a esse horizonte, e o radicalismo, acabam atrapalhando e em nada ajudam o país a progredir. No caso do Brasil, está evidente que o sistema previdenciário se inviabiliza rapidamente. Hoje, temos 34,6 milhões de contribuintes para 22,7 milhões de aposentados, ou seja, menos de um contribuinte por um aposentado. Com o agravante de que as pessoas, graças aos avanços de nossa medicina, aumentam suas esperanças de vida, vivendo bem mais tempo. Hoje, os brasileiros com mais de 60 anos já representam 19 milhões de pessoas ou 25% a mais do que representavam na década passada. Em 2050 seremos 10 milhões de brasileiros acima de 80 anos de idade. Paralelamente, a demografia baixou consideravelmente. No Brasil, a taxa média de fecundidade por mulher já está em 1,8 filho, contra 5,8 filhos nos anos de 1970. Em alguns países do mundo, principalmente os europeus, já encontramos uma taxa negativa, onde morrem mais pessoas do que nascem. Nesse contexto, no Brasil, segundo estudos do IPEA, já no ano de 2032, se nada for feito, haverá mais gente recebendo benefícios do que trabalhadores financiando a Previdência.
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