Em quarto lugar, o PAC não privilegiou, a não ser de forma muito indireta, um dos setores que mais contribui com a economia nacional: a agropecuária. Isto igualmente gerou frustração, particularmente em regiões como o interior brasileiro. Paralelamente, pode-se acrescentar que não haverá mudanças no câmbio nacional. Ou seja, para quem esperava desvalorização cambial, o governo se manteve fiel à linha, correta, da flutuação do câmbio. Assim, o setor exportador continuará bastante penalizado enquanto o dólar, no mercado mundial não voltar a se valorizar. Neste sentido, a renúncia fiscal veio favorecer indústrias exportadoras ligadas à área têxtil, de calçados e metal-mecânica, nada havendo em direção à agropecuária. Em quinto lugar, muito das medidas irá depender da participação da iniciativa privada. Ou seja, o governo reconhece não ter condições, sozinho, de alavancar a economia. Muito mais pela ineficiência da estrutura estatal, que não é reformada, do que propriamente por não possuir recursos. Em sexto lugar, e ponto polêmico, o governo pretende que se invista até 10% do saldo da conta do FGTS (recursos dos trabalhadores) em fundos de infra-estrutura, criando com isto outra alternativa de investimento. O problema é se o investimento fracassar. Quem pagará a conta? Provavelmente a Nação brasileira, através do Tesouro Nacional. Enfim, embora o Programa indique uma direção para estes próximos quatro anos, fato que deverá auxiliar os novos ministros e governadores, os Estados da Federação pouco foram ouvidos. Além disso, o PAC claramente, na falta de reformas estruturais, ficará à mercê da manutenção favorável do cenário econômico mundial, com alta liquidez e preços elevados para nossos produtos de exportação. E quando este cenário reverter?