A região Nordeste possui um extensão territorial de 1,66 milhões de km2, onde 60 % dessa área corresponde à zona semi-árida. Nela está concentrada o maior pólo de fruticultura tropical do Brasil e um dos mais importantes segmentos do agronegócio brasileiro - a exportação de frutas, especialmente, manga e uva.
No Pólo de Juazeiro/Petrolina, essas atividades impulsionam um dinamismo econômico que movimenta recursos da ordem de 600 milhões de dólares/ano. A manutenção desse desempenho e, mais que isso, a ampliação das áreas cultivadas sob condições de irrigação estão condicionadas à adoção, por parte de investidores públicos e privados, de tecnologias adequadas às condições ambientais do semi-árido.
Nessas áreas, verifica-se a exploração agrícola contínua com intenso tráfego de máquinas, o que provoca, ao longo do tempo, a compactação do solo e a intensificação do processo de adensamento, peculiar aos solos destas áreas. A compactação resulta da ação pelo homem proveniente de meios mecânicos, pela aplicação de pressão (máquinas e implementos agrícolas, sobrecarga de animais pelo pastoreio), ao contrário do adensamento que é um fenômeno acarretado por processos físicos e químicos resultantes de causas naturais ou não.
Os levantamentos de classificação de solos (pedológico) efetuados na região Nordeste, mais precisamente na zona semi-árida, mostram uma grande ocorrência de solos com adensamento e/ou compactação. O problema de adensamento e/ou compactação está presente em cerca de 50% dos solos da região, chegando a comprometer 40-60% da produção das culturas. Na camada superficial do solo freqüentemente ocorre a formação de crosta, dificultando a emergência das plântulas e acarretando aumentos no escoamento superficial e susceptibilidade à erosão, consequentemente, perdas de solo, água e nutrientes. Nas demais camadas, são observados aumentos na densidade do solo que impõem restrições físicas à penetração das raízes e à infiltração da água. Como resultantes desses processos têm-se o aumento dos riscos de assoreamento e contaminação de águas fluviais e diminuição na produção e produtividade agrícolas.
Os solos do Vale do São Francisco têm grande potencial agrícola. O incremento da agricultura irrigada na região bem o demonstra. Porém, algumas características desses solos, que remontam à sua formação há milhões de anos, precisam ser melhor compreendidas para que se possa proporcionar ao mesmo tempo uma utilização sustentável e produtiva.
Trabalhos de pesquisa desenvolvidos pela Embrapa Semi-Árido têm delineado algumas recomendações de como utilizar o solo e a água nessa condição:
· Preparar o solo em condições corretas de umidade, isto é, o solo deverá estar no seu “estado de sazão” (grau de umidade adequado para preparo mecânico);
· Utilização de plantas que possuam sistema radicular abundante e agressivo, capaz de romper a camada adensada do solo. Algumas leguminosas são eficientes neste sentido. Como, por exemplo, têm-se o feijão guandu que possui ainda a vantagem de ser bem adaptado à região. A rotação de variadas espécies de plantas é recomendada, visando à penetração em diferentes camadas do solo pelo sistema radicular;
· Cobertura do solo seja com planta em crescimento (cobertura viva) ou restevas destas (cobertura morta), objetivando principalmente: a) proteger o solo das chuvas de alta intensidade evitando-se o impacto direto das gotas, as quais provocam selamento superficial, capaz de impedir a infiltração d’água e a emergência ou o desenvolvimento das plantas; b)aumentar a infiltração e retenção da água; c) aumentar o teor de matéria orgânica ao longo dos anos; d) diminuir as oscilações de temperatura e evaporação da água no solo, aumentando a disponibilidade de água e nutrientes para as plantas;
· Utilização de escarificador e subsolador no preparo do solo são alternativas de implementos eficientes em romper camadas compactadas e/ou adensadas, principalmente quando aliadas à incorporação de matéria orgânica;
· Adoção de práticas de cultivo mínimo e, quando possível, do plantio direto, diminuindo o tráfego de máquinas e a movimentação do solo;
· Monitoramento do fornecimento de água, levando-se em consideração que as características de adensamento permitem uma maior capacidade de armazenamento de água, tanto nessa zona adensada como acima dela. Uma correta concepção do fluxo de água ao longo do perfil propiciará um melhor aproveitamento pelo sistema radicular das plantas;
· Uso de práticas corretivas de salinização e de sodicidade, tais como lixiviação de sais com lâmina corrigida de irrigação, utilização de plantas para recuperação de áreas salinizadas, aplicação de corretivos como o gesso agrícola e enxofre elementar.
Embora algumas destas recomendações elevem o custo de produção em curto prazo, o produtor que as adotar terá garantido a médio e longo prazo maiores produtividades nos seus cultivos.

