Um dos instrumentos para se construir uma estabilidade econômica duradoura, em países com alta inflação, é o câmbio. Ajustar a taxa cambial interna de forma que a moeda nacional se equipare à moeda de referência (no caso brasileiro, o dólar dos EUA) permite conter a desvalorização contínua da moeda nacional, a qual alimenta a ciranda inflacionária na medida em que as importações são importantes. Assim, um grande número de países, no início dos anos de 1990, adotou esse instrumento. O Brasil o fez a partir do lançamento do Plano Real, em 1994. Todavia, tal mecanismo pode se tornar uma armadilha econômica, caso o país insista por muito tempo em manter artificialmente sua moeda valorizada. O Brasil aprendeu isso em janeiro de 1999, quando nossas reservas se esgotaram na luta em defesa de um Real forte, diante de um mercado que passou a apostar contra a moeda nacional. Desde então, entramos no sistema de câmbio flutuante, onde o mercado cambial é regulado pela oferta e demanda de moeda estrangeira no país. O Banco Central, nesse caso, atua apenas como um player, comprando ou vendendo dólares, visando segurar o valor do Real em um patamar aceitável para os objetivos da estabilização. Para tanto, usa o sistema de Paridade de Poder de Compra (PPC) a fim de conhecer o nível ideal em que a moeda nacional deveria se encontrar. Tal sistema dura até hoje! Ocorre que as condições econômicas mundiais, desde então, tornaram o Brasil um pólo de atração de dólares, sobrevalorizando o Real em demasia.
Real forte aumenta impostos (II)
A tal ponto que, pela PPC, entre janeiro de 1999 e hoje o Real deveria valer ao redor de R$ 2,20. Como o mesmo está em R$ 1,65, temos uma brutal sobrevalorização que penaliza o setor exportador e gera distúrbios potenciais à continuidade da estabilidade econômica. As ações compradoras do Banco Central não têm conseguido reverter o processo já que a fraqueza do dólar é de cunho internacional e não depende apenas do Brasil. Na prática, assistimos a uma manobra dos EUA, desde meados dos anos 2000, que deixam deliberadamente o dólar enfraquecer, perante as principais moedas mundiais, buscando ganhar maior competitividade na balança comercial e manter a rolagem da dívida interna via a venda de títulos públicos. Esta realidade se agravou a partir da crise econômico-financeira de 2007/08 na medida em que os EUA passaram a emitir ainda mais dólares buscando retomar o crescimento. Assim, até o dia 18/03/11 o saldo positivo de dólares no Brasil era de US$ 34,7 bilhões ou 42% do saldo registrado no mesmo período do ano passado. Impotente perante tal situação, o Brasil se vê obrigado a assimilar um Real sobrevalorizado. Nesse
contexto, o governo vislumbrou a possibilidade de arrecadar mais imposto ao aumentar a alíquota do IOF sobre as compras no exterior em 168%, definindo-a em 6,38% a partir do dia 28/03/11. Isso irá permitir ao governo arrecadar ao redor de US$ 1 bilhão no ano, já que os gastos externos dos brasileiros quase dobraram em 2010, se comparados a 2009. Isso se a medida não frear as compras.