O Rio Grande do Sul entra em um momento positivo em relação ao seu agronegócio. A safra de verão (arroz, milho e soja particularmente) aponta para uma colheita praticamente recorde. O arroz deverá ultrapassar as 6 milhões de toneladas, a soja poderá atingir a 9 milhões de toneladas e o milho fechar em 5,5 milhões de toneladas. Paralelamente, os preços melhoraram em relação aos últimos dois anos, especialmente na soja e milho. Todavia, o Estado e, sobretudo, a região Noroeste precisam manter os pés no chão, evitando entrarem em euforias demasiadas. A realidade melhorou, porém, está longe de permitir a superação imediata dos efeitos da crise que vivemos a partir de 2004/05. Na verdade, os impactos negativos da mesma foram imensos. No Noroeste gaúcho, somando apenas a produção dos três principais grãos (soja, milho e trigo), a renda bruta obtida em 2004 chegou a R$ 4,23 bilhões. No ano seguinte, esta mesma renda recua para R$ 1,94 bilhão, caracterizando um recuo de 54,1%. Em 2006 houve uma recuperação desta renda, porém, ainda insuficiente, com a mesma chegando a R$ 3,51 bilhões. Vale ainda destacar que os custos de produção, para a safra 2006, foram realizados com um dólar médio a R$ 2,70 enquanto a comercialização dos grãos ocorreu com um dólar médio a R$ 2,30. Esta situação provocou conseqüências igualmente nas demais atividades econômicas. A tal ponto que os municípios da região recolheram muito menos ICMS nestes últimos anos. Em Ijuí, após um aumento médio de 30% em 2003, o recolhimento cresce 18% em 2004, perdendo mais de 25% em 2005. Panambi registrou um recuo de 14,3% em 2006, comparando com a arrecadação de ICMS de 2005. Já Condor registrou uma queda de 45,9% entre 2004 e 2005, e uma nova queda, agora de 13,6%, entre 2005 e 2006.