Há 30 anos, a agricultura vivia os tempos áureos de Revolução Verde. Na década de 70, existiam subsídios de toda ordem, sendo que o mais importante era a lei que isentava a correção monetária no Crédito Rural, que por decisões do Banco Central, através de “Medidas Circulares”, aos poucos foram revogando esta lei, considerada por várias sumidades na área jurídica, como um Ato Inconstitucional. Mesmo assim, pela própria vocação agrícola do homem, da terra e do clima combinado com abundantes créditos oficiais, na década de 1980 aumentávamos a produção, a tecnologia, mas iniciava-se um processo de descapitalização do campo, em razão da falta de subsídios. Década de 90, uma brutal transição, saímos de uma inflação baixa, de país fechado para país aberto ao extremo, de uma política razoável para um Estado falido, e por esta razão a perda de Renda, através dos planos econômicos, estouro dos juros, engessamento do câmbio no real. Após os planos econômicos, nos restou a exclusão de milhares de produtos do campo e iniciou-se uma grande batalha pela sobrevivência, através da competitividade. De um lado os produtores que entravam no Plano Real com dívidas e do outro lado os que não tinham dívidas. Os primeiros securitizaram, aderiram ao “Pesa”, outros estão discutindo judicialmente, mas a grande maioria alijados do crédito rural, sem condições de liquidar o passado e com perspectivas negativas para o futuro, uma vez que não existe renda para o setor, apostando tudo em alguma outra alternativa de solução, que no momento depositam no “Refin” rural, projeto do Dep. Nardes que depende de uma grande mobilização do setor, pois precisa ser votado na Câmara de Deputados.
Já os que entraram no Plano Real sem débitos, somados aos remanescentes “menos individados”, devem se preparar para a agricultura do próximo milênio, baseada em 3 facetas imprescindíveis: a) Tecnológica; b) Gerencial; d) e a de Modelo.
- Tecnológica: Inovação do campo, pelo Cultivo-mínimo, Plantio Direto, Pré-Germinado, Orgânico, Transgênico, Automação, Tecnologia Molecular e Genéticas de Transformação, etc.
- Gerencial: Um gerenciamento contemporâneo, informatizado, informado, treinado, competente, etc.
- de Modelo: Buscar renda agregando valor à sua produção, através de mecanismos estratégicos como: Associativismo, Parcerias, Alianças Estratégicas, Cooperativismos, etc.
A realidade de hoje, é que estamos sem renda no setor orizícola, onde uma grande maioria está sem crédito para suportar este momento de pressão da oferta com redução de preços em função da safra, além das importações predatórias ao produtor nacional, pois o arroz importado não paga a taxa de CDO (Irga) relacionado a pesquisa, não paga o Funrural, não paga 12% ed ICMS (Interestadual), com isto acentuando negativamente contra nós produtores nacionais a “Lei de Oferta e da Procura”, com preços abaixo de custo de produção, inviabilizando até os produtores que não tinham dívidas, assim como a população em geral dos municípios integrantes desta tão sofrida região da Metade-Sul.
Mas, não podemos ficar apenas nesse discurso pessimista, temos que através do poder de mobilização da classe junto com outros segmentos da economia do município e da região, conscientizar a opinião pública, que a falência do setor arrozeiro implica na falência de todos os outros segmentos da economia, que geram empregos e o bem estar da população do nosso município. E numa grande mobilização, buscarmos as soluções para tudo isso, numa ação conjunta, estratégica, bem articulada e definindo prioridades nos pleitos mais importantes, para uma solução, a serem discutidos com toda a sociedade, através de seus órgãos representantes, como Sindicatos e Associações em Geral, Clubes, Executivo municipal, Legislativo, etc.,pelo qual enumero alguns:
-Solução do Endividamento Agrícola.
-Busca Permanente da eficiência, em um mundo globalizado (Gerenciamento – Tecnológico e de Modelo)
-Proibição das Importações de 3º Países, aumentando a TEC.
-Disciplinamento das Importações do Mercosul
# Política Agrícola para o novo milênio:
- Garantia de prerço-mínimo (custo de produção), desde que desatrelado da “Dívida Agrícola”.
- Garantia de créditos compatíveis, sejam de custeio, comercialização, como de investimento.
- Revisão do custo tributário, em especial produtos de Cesta-Básica.
- Seguro Agrícola, que cubra todas as perdas da lavoura.
- Desenvolver um marketing valorizando o arroz irrigado com relação ao arroz do sequeiro, através de um fundo .
# Mercado:
A classe produtora deve estabelecer referenciais:
- mínimo, baseando no custo de produção e;
- máximo, baseando nos preços médios históricos de comercialização praticados pelo mercado até meados de 1985, que era de U$10 (dez dólares) cada saca e produzia uma renda para o setor que não sofria os endividamentos atuais.