Dentre estas medidas podemos citar a desvalorização do câmbio nominal, fixado um pouco acima de três pesos por dólar (sustentadas por maciças compras de dólares pelo governo e introdução de um imposto sobre as principais commodities exportadas); a inflação acima de 10% ao ano em troca de um crescimento de 8%-9% (para controlá-la o governo adotou os antiquados e nem sempre eficientes mecanismos de controles e congelamentos setoriais de preços). Todavia há muitos problemas: a inflação acabou provocando uma valorização real do peso, em linha com a tendência global de apreciação das moedas de muitos países emergentes, inclusive o Brasil. Assim, sua solidez comercial e externa não difere muito do que encontramos nas economias que valorizaram suas moedas. Como os demais países, a Argentina se beneficia do fato de ser uma grande exportadora de commodities em alta, por efeito da forte demanda chinesa e global. A vantagem é que a Argentina fez reformas microeconômicas mais profundas e abrangentes do que a brasileira. Isto lançou as bases para o desempenho atual. Estas datam do governo Ménem (ajustes na Previdência; maiores controles fiscais para evitar a evasão fiscal; flexibilização e modernização das relações do trabalho...)! Ou seja, o atual governo argentino se aproveita dos ajustes estruturais feitos anteriormente. Para prolongar a atual recuperação o país terá que confrontar um longo rol de mazelas e obstáculos, e os desvios heterodoxos feitos pelo governo Kirchner não contribuem em nada para perenizar o crescimento rápido. Assim, é um erro achar que a experiência argentina indica que o Brasil deva entrar em uma aventura heterodoxa e populista para voltar a crescer. (Cf. Carta do IBRE/ Conjuntura Econômica-FGV – Fev/2007)
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