Uma agradável surpresa para os produtores de soja do Brasil veio à tona na terça-feira (31/03), com os números do relatório de intenção de plantio da nova safra de verão nos EUA. Isso porque o mesmo apontou uma área a ser cultivada com soja naquele país em 30,8 milhões de hectares, contra 30,6 milhões no ano anterior. Ou seja, um aumento de apenas 0,65% quando o mercado esperava, e projeções privadas indicavam isso, um aumento de até 8% na área da oleaginosa.
Juntamente com essa informação, o relatório trouxe que os estoques de passagem, para a soja (no trimestre encerrado em 01/03) recuaram 9% nos EUA, indicando um aperto na disponibilidade do produto em relação ao ano anterior (informação essa já esperada, aliás).
Imediatamente, as cotações da soja em Chicago subiram quase 50 pontos no mesmo dia, demonstrando a surpresa do mercado. Assim, para nós brasileiros, os números permitem imaginar que os preços possam se manter, na pedra, entre R$ 40,00 e R$ 43,00/saco ao produtor, dependendo do comportamento cambial.
Todavia, precisamos colocar alguns elementos em destaque, surgidos no relatório, e que podem mudar o panorama futuro. Em primeiro lugar, mesmo com um pequeno aumento na área, a mesma se consolida como a maior área de soja a ser plantada nos EUA em sua história.
Nesse sentido, se o clima colaborar, os norte-americanos poderão igualmente alcançar a maior safra de sua história (colheita em outubro), pressionando para baixo os preços. O contrário igualmente é verdadeiro. Em caso de clima ruim, as cotações devem subir fortemente, pois os baixos estoques indicam aperto na oferta local.
Aliás, a partir de agora o mercado ficará atento ao plantio e ao clima naquele país. Em segundo lugar, existe uma contradição no relatório, que ainda precisa ser esclarecida.
Trata-se do fato que as principais culturas que concorrem em área com a soja terem suas áreas reduzidas, algumas de forma importante.
O trigo (23,7 milhões de hectares) e o algodão (2,47 milhões de hectares), por exemplo, sofrerão um recuo de 7% cada um em sua área semeada. O milho (34,4 milhões de hectares) recuará apenas 1% (também aí uma surpresa) enquanto sorgo (-16%), colza (-15,2%) e girassol (-18%) igualmente terão áreas menores.
Dessa forma, ou os produtores norte-americanos irão deixar uma grande área em pousio, o que não é costume diante dos subsídios recebidos, apesar de algumas mudanças propostas pelo atual governo diante da crise econômica, ou tal área será ocupada, na prática, por outra cultura.
E a tendência, diante dos atuais preços em Chicago, é da soja herdar boa parte dessa área, fato que daria razão às projeções dos analistas privados quanto a real área a ser semeada com a oleaginosa naquele país.
Isso, definitivamente, será esclarecido apenas em 30/06 quanto teremos o relatório sobre a área efetivamente plantada nos EUA. Entretempo, a tendência será o mercado absorver tais informações e diminuir a euforia, sobretudo em Chicago, devendo existir questionamentos quanto a necessidade de o USDA revisar sua informação, salvo uma real surpresa de parte dos produtores locais quanto ao plantio.
Aqui no Brasil, nesse período, devemos aproveitar a oportunidade que surge, onde os preços acabam mantidos ainda em níveis muito interessantes, para as condições de mercado existentes, e concretizar médias de comercialização na medida do possível.
Dito isso, o mercado agora estará sob a pressão do final da colheita no Brasil e Argentina, com vendas imediatas ocorrendo, e acompanhando o clima e a efetiva área que será cultivada nos EUA logo mais.