Desde o final de setembro mudou completamente a perspectiva o mercado mundial da soja e a tendência de preços para os produtores rurais da oleaginosa. No início de julho já se notava uma mudança de comportamento nas cotações em Chicago, porém, as mesmas ainda eram tímidas. Até então, o bushel da soja girava ao redor de US$ 9,50, com tendência de recuo diante de uma safra cheia nos EUA e que se desenvolvia bem. Porém, em julho, a média do mês já subiu para US$ 10,09/bushel. Todavia, foi a partir de setembro que a mudança se cristalizou. A média do mês saltou para US$ 10,61 e em outubro para US$ 11,62, chegando agora em novembro (09/11), com a cotação batendo em significativos US$ 13,19. Temos aí uma elevação de 39% no bushel de soja em quatro meses e nove dias. O que ocorreu? O mercado vem usando como motivo a redução na estimativa de safra dos estoques finais nos EUA para 2010/11. Efetivamente, o relatório de oferta e demanda do USDA, deste dia 09/11, indicou um volume final colhido de 91,85 milhões de toneladas e 5,03 milhões em estoque. Antes disso o mercado chegou a cogitar mais de 93 milhões de toneladas, porém, também é verdade que em junho passado a indicação era de 90,08 milhões de toneladas e as cotações se mantinham em baixa. Portanto, a alta no preço do grão não se justifica pela colheita dos EUA, mesmo porque ela continua muito boa e já está praticamente encerrada. Quanto aos estoques, as coisas são um pouco diferentes!
Soja x Guerra Cambial (II)
Em junho se indicava um volume final, para o novo ano comercial, de 9,8 milhões de toneladas. Agora, os mesmos já estão em 5,03 milhões. Todavia, é bom lembrar que os estoques mundiais de soja, para 2010/11, se mantêm muito confortáveis, em 61,4 milhões de toneladas. Em junho os mesmos eram indicados em 57,2 milhões. Portanto, se é verdade que o recuo dos estoques nos EUA preocupa o mercado, também é verdade que a situação geral está longe de justificar tal disparada nos preços. Assim, auscultando um pouco mais o mercado se percebe que, de julho para cá, voltamos a ter um comportamento idêntico ao ocorrido no primeiro semestre de 2008, quando o bushel de soja ultrapassou a US$ 16,00 no final daquele período. A crise econômica que depois estourou interrompeu a tendência, mas não eliminou seus motivos. Assim, diante de uma guerra cambial mundial, onde o dólar perde muito valor, a especulação compensa a perda de ganhos aumentando os preços das commodities. No caso da soja, mesmo com um Real sobrevalorizado, girando ao redor de R$ 1,69 no momento, os produtores brasileiros de soja assistem a uma forte elevação dos preços atuais da oleaginosa. No RS o saco, no balcão, já vale R$ 42,00 em média quando, ainda em julho, valia R$ 33,00. Ora, se não houver acordo na reunião do G20, em torno do câmbio, se desenha a possibilidade de termos um patamar médio de preços, na colheita, entre R$ 40,00 e R$ 45,00/saco. Principalmente porque o Brasil tentará desvalorizar o Real entretempos. Que o La Niña não atrapalhe!